‘Poetry’ por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

Um corpo de uma jovem suicida aparece nas margens onde crianças brincam. Assim começa o novo filme de Chang-dong Lee, realizador coreano pouco conhecido em Portugal, “Shi”. O filme mostra as dificuldades de uma avó que toma a conta de um neto adolescente com a mãe ausente, preguiçoso e inconsequente, colega da jovem encontrada no rio, e de todos os esforços que esta faz para ultrapassar os problemas financeiros, da idade que a afecta, e da solidão, enquanto tenta encontrar forma de se expressar numas aulas de poesia.

Durante todo o filme, Mija, a protagonista, procura a inspiração poética, um desejo de se expressar fora da eterna auto-negação, de uma realidade indiferente, de um neto ingrato, na natureza, nas acções e momentos à sua volta. É um filme contemplativo, com um ritmo lento, como convém ao tema, e com vários níveis que se desenvolvem de forma paralela ou coincidente. Sem nunca se tornar comiserativo ou patético e sem trair a personagem principal, Chang-dong Lee consegue retratar a história particular de Mija, lidando ao mesmo tempo com temas maiores como a vida moderna, a idade, os relacionamentos humanos e, claro, a poesia.

Espera-se que tenha distribuição nas salas portuguesas e, com sorte, uma retrospectiva deste realizador que merece mais reconhecimento.

O Melhor: Conhecer Chang-dong Lee.
O Pior: Jeong-hee Yoon, a protagonista, consegue, por vezes, roçar o insuportável.

A Base: Um filme poético sobre como a poesia se pode encontrar nas situações mais exigentes…7/10

João Miranda

Últimas