Durante todo o filme, Mija, a protagonista, procura a inspiração poética, um desejo de se expressar fora da eterna auto-negação, de uma realidade indiferente, de um neto ingrato, na natureza, nas acções e momentos à sua volta. É um filme contemplativo, com um ritmo lento, como convém ao tema, e com vários níveis que se desenvolvem de forma paralela ou coincidente. Sem nunca se tornar comiserativo ou patético e sem trair a personagem principal, Chang-dong Lee consegue retratar a história particular de Mija, lidando ao mesmo tempo com temas maiores como a vida moderna, a idade, os relacionamentos humanos e, claro, a poesia.
Espera-se que tenha distribuição nas salas portuguesas e, com sorte, uma retrospectiva deste realizador que merece mais reconhecimento.
O Melhor: Conhecer Chang-dong Lee.
O Pior: Jeong-hee Yoon, a protagonista, consegue, por vezes, roçar o insuportável.
A Base: Um filme poético sobre como a poesia se pode encontrar nas situações mais exigentes…7/10

