Durante a rodagem de ‘Drag me to Hell’, o realizador inglês visitou o set e encontrou Sam Raimi, com o seu fato e gravata (Raimi vai sempre formal quando realiza) cheio de lama e sangue falso. Wright recorda que nunca vira um realizador tão feliz num set. ‘Drag me to Hell’ transparece totalmente esta história.
Sam Raimi começou a sua carreira com desvarios como a trilogia ‘Evil Dead’, ‘Darkman’ e o western ‘The Quick and the Dead’. Em 2000, vinculou-se à megaprodução de ‘Spiderman’ e lá permaneceu dez anos em filmes cada vez mais complicados na hora de produzir. No rescaldo de um ‘Spiderman 3’ cheio de problemas de produção e divergências criativas, decidiu tomar as rédeas deste ‘Drag me to Hell’, um projecto antigo seu que remontava ao início dos anos 90.
E nota-se aqui que Raimi ainda é o louco imaginativo que era no início da sua carreira. E mais, nota-se que se divertiu como ninguém a realizar esta história.
‘Drag me to Hell’ conta a história de Christine, uma funcionária da secção de créditos de um banco (basicamente, o mesmo emprego de Jim Carrey em ‘Yes Man’). O seu emprego passa por aprovar ou não crédito, e executar hipotecas. Como Christine é muito benevolente (o que não é bom para uma funcionária bancária) o seu patrão ameaçou não lhe dar a tão desejada promoção se ela não começasse a pressionar os maus-pagadores. Por esse motivo, Christine decide hipotecar a casa da senhora Ganush, uma idosa cigana, apesar desta lhe implorar de joelhos para que não o fizesse. Ganush lança então uma maldição terrível sobre Christine – que vai pôr a sua vida em perigo.
Com uma premissa intrigante, o filme vai gerindo terror e comédia nas doses tradicionais de Raimi. Temos ‘gore’ desvairado e temos muitos sustos, bem acima da quota que o cinema de terror hollywoodiano nos habitou nos últimos anos. ‘Drag me to Hell’ é terror divertido, para ver numa sala de cinema e gritar nos seus inúmeros sustos. Fica apenas um defeito: o desfecho. Infantil e previsível, nota-se que esta história foi escrita para um público ingénuo de outros tempos e não para os padrões de exigência narrativa (excessiva e idiota) que é exigido a um filme de terror nos dias de hoje.
Menos referencial e cerebral do que o cinema de terror é agora forçado a ser, ‘Drag me to Hell’ manda o cepticismo do público moderno à fava. Nós agradecemos, e ficamos à espera que Raimi continue a divertir-se a realizar pois nós nos divertiremos a ver.
O melhor: Sustos e mais sustos, Raimi recupera o ritmo de ‘Evil Dead’.
O pior: O desfecho – excessivamente obvio.
A base: Sam Raimi regressa às suas raízes e mata saudades do que sempre gostou fazer, num filme que irá encher as medidas a todos e deixará os seus fãs em loucura. 8/10
José Pedro Lopes

