‘Drag me to Hell’ por José Pedro Lopes

(Fotos: Divulgação)

 

Edgar Wright (‘Shaun of the Dead’, ‘Scott Pilgrim vs the World’) contou recentemente numa entrevista que um dos filmes que lhe ofereceram para realizar no seu salto para Hollywood foi este ‘Drag me to Hell’. Por diversos motivos, acabou por não pegar no projecto, mas o principal foi que considerou que era impossível ele realizar esta história escrita por Sam Raimi sem tentar imitar o trabalho do realizador de ‘Evil Dead’ e ‘Darkman’.

Durante a rodagem de ‘Drag me to Hell’, o realizador inglês visitou o set e encontrou Sam Raimi, com o seu fato e gravata (Raimi vai sempre formal quando realiza) cheio de lama e sangue falso. Wright recorda que nunca vira um realizador tão feliz num set. ‘Drag me to Hell’ transparece totalmente esta história.

Sam Raimi começou a sua carreira com desvarios como a trilogia ‘Evil Dead’, ‘Darkman’ e o western ‘The Quick and the Dead’. Em 2000, vinculou-se à megaprodução de ‘Spiderman’ e lá permaneceu dez anos em filmes cada vez mais complicados na hora de produzir. No rescaldo de um ‘Spiderman 3’ cheio de problemas de produção e divergências criativas, decidiu tomar as rédeas deste ‘Drag me to Hell’, um projecto antigo seu que remontava ao início dos anos 90.

E nota-se aqui que Raimi ainda é o louco imaginativo que era no início da sua carreira. E mais, nota-se que se divertiu como ninguém a realizar esta história.

‘Drag me to Hell’ conta a história de Christine, uma funcionária da secção de créditos de um banco (basicamente, o mesmo emprego de Jim Carrey em ‘Yes Man’). O seu emprego passa por aprovar ou não crédito, e executar hipotecas. Como Christine é muito benevolente (o que não é bom para uma funcionária bancária) o seu patrão ameaçou não lhe dar a tão desejada promoção se ela não começasse a pressionar os maus-pagadores. Por esse motivo, Christine decide hipotecar a casa da senhora Ganush, uma idosa cigana, apesar desta lhe implorar de joelhos para que não o fizesse. Ganush lança então uma maldição terrível sobre Christine – que vai pôr a sua vida em perigo.

Com uma premissa intrigante, o filme vai gerindo terror e comédia nas doses tradicionais de Raimi. Temos ‘gore’ desvairado e temos muitos sustos, bem acima da quota que o cinema de terror hollywoodiano nos habitou nos últimos anos. ‘Drag me to Hell’ é terror divertido, para ver numa sala de cinema e gritar nos seus inúmeros sustos. Fica apenas um defeito: o desfecho. Infantil e previsível, nota-se que esta história foi escrita para um público ingénuo de outros tempos e não para os padrões de exigência narrativa (excessiva e idiota) que é exigido a um filme de terror nos dias de hoje.

Menos referencial e cerebral do que o cinema de terror é agora forçado a ser, ‘Drag me to Hell’ manda o cepticismo do público moderno à fava. Nós agradecemos, e ficamos à espera que Raimi continue a divertir-se a realizar pois nós nos divertiremos a ver.

 

O melhor: Sustos e mais sustos, Raimi recupera o ritmo de ‘Evil Dead’.

O pior: O desfecho – excessivamente obvio.

A base: Sam Raimi regressa às suas raízes e mata saudades do que sempre gostou fazer, num filme que irá encher as medidas a todos e deixará os seus fãs em loucura. 8/10

 

 José Pedro Lopes

 

 

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