Dentro do legado dos monstros cinematográficos, ‘Predator’ parece ser o mais datado deles todos e o mais condenado a ser explorado abaixo do seu potencial. ‘Predators’, de Nimród Antal (do banalíssimo ‘Vacancy’) e do produtor Robert Rodriguez, tinha a obrigação de contrariar essa tendência mas não o faz – na realidade sucumbe perante ela.
Nesta terceira entrega da série iniciada por John McTierman há mais de 20 anos atrás (num brilhante filme de acção e tensão protagonizado por Arnold Schwarzenegger), seguimos um grupo de homens que dá por si numa selva misteriosa. Num arranque nas linhas de ‘Cube’ de Vincenzo Natali, as personagens do filme procuram respostas nos seus perfis: todos eles são “predadores” na terra, uns militares, os outros terroristas ou criminosos. Depressa se percebe então que são uma espécie de presa para uma raça de criaturas extra-terrestres, e que estão numa reserva de jogo localizada num planeta longínquo.
‘Predators’ vem produzido pela indie Troublemaker Studios, conhecida por fazer muito com pouco, como no caso dos filmes de Robert Rodriguez mais recentes – ‘Planet Terror’ ou ‘Machete’. Este ‘Predator’ não foge à regra: esta produção é bastante modesta face aos dias de glória desta criatura, mas não menos ambiciosa a nível visual. Isto por vezes gera alguns momentos mal conseguidos (uma das explosões do filme é criada com efeitos visuais verdadeiramente académicos), mas por outro lado sai compensado por alguma cenografia interessante (como o habitat onde se decorre o confronto final do filme).
O elenco do filme está repleto de actores de qualidade como Adrien Brody (‘King Kong’), Alice Braga (‘I Am Legend’) ou Topher Grace (‘Spiderman 3’), mas todo o desenvolvimento humano do filme é previsível e demasiadas vezes enfadonho. Neste ponto, o filme é mais um ‘remake’ do que uma sequela: tenta ser o filme de duros que era o original, mas com um elenco pouco musculado. O desenvolvimento dramático da personagem de Topher Grace é grosseiramente previsível (e mal actuado) e a porção do filme onde entra Laurence Fishburne é ridícula (e muito mal actuada).
Restam-nos os monstros, e aqui tenho de remeter ao início da minha critica. O ‘Predador’ é um monstro datado e que explorado muito abaixo do seu potencial. Datado porque um extra-terrestre monstruoso mas com engenhocas fáceis (com um ‘click’ explode uma nave), ostentando rastas como se fosse algo exótico (talvez nos anos 80 fosse… mas nos dias de hoje, não) e que sangra verde florescente enquanto solta grunhidos, é o tipo de ‘alien’ que o cinema dos anos 10 não levará a sério. Os responsáveis do novo filme não o renovaram nem fisicamente nem intelectualmente. Abaixo do seu potencial, porque a certo ponto de ‘Predators’ somos introduzidos a duas raças diferentes de ‘Predators’, mais uma subspécie de cães que eles tem. Ouvimos falar dos seus hábitos tribais e de caçadores, mas o filme nunca perde muito tempo a explicar nada disto e a viver disto. O melhor que faz quando dois ‘predators’ de tribos diferentes se encontram, é pô-los a lutar numa sequência tão pouco importante que a câmara segue os humanos o tempo todo.
A história é toda uma mera sucessão de eventos sem grande propósito. Outro exemplo é o facto de esta se passar numa planeta extra-terrestre que é exactamente igual a uma selva da Terra (ao menos em ‘Avatar’ éramos introduzidos a fauna e flora alternativa) e onde cedo percebemos que os argumentistas não fazem a menor ideia sobre como os humanos podem escapar de lá. Aliás, nem parecem fazer ideia de porque é que a acção sai beneficiada em passar-se fora da Terra. As soluções apresentadas na recta final são vulgares e acima de tudo pouco estimulantes, quando chega ao seu desfecho o interesse na aventura já se dissipou por completo.
‘Predator’ era um filme de acção cheio de testosterona, onde um Schwarzie em alto na carreira lutava contra o seu equivalente alienígena. ‘Predators 2’ passava a luta para a selva urbana e era um descomprometido e caverneiro filme de violência e pancadaria. Este terceiro regressa ao cenário do primeiro e é, em dura e crua justiça, um filme inferior ao tão criticado ‘Aliens vs The Predator’. O mash-up de monstros é um filme desequilibrado mas tenta ser grandioso e arrojado, ao contrário de novo ‘Predators’ que parece arredondar todas as suas arestas.
No entanto vale a pena para fãs do género como eu (apesar de torcer pelos ‘Aliens’), entrar nesta cápsula para ver uma segunda sequela, mais fraquinha e menos ambiciosa, do filme de John McTierman.
A base: ‘Predators’ é modesto em termos de produção mais ainda mais em termos de história e de ambição. O ‘Predador’ aquém do seu potencial. 4/10
O melhor: Alice Braga é a durona mais credível num elenco de actores masculinos a seguir estereótipos.
O pior: O segmento Laurence Fishburne e a falta de interesse de todo o relato.
José Pedro Lopes

