
Já muito foi dito sobre a saga ‘Twilight’, focando-se normalmente os media nos excessos de alguns fãs ou nas relações de alguns dos participantes nesta série. Deixando os defeitos apontados à série de livros de Stephenie Meyer de lado, esta é uma história clássica de amor, traição, rivalidade e outros temas clássicos, explorado com uma sensibilidade que tocou milhões em todo o mundo. A nível de cinema, esta é uma série que tem já três filmes, feitos por realizadores de renome, e com um estilo estético bem definido e bandas sonoras que incluem alguns dos grandes nomes da música actual.
“Eclipse”, o novo filme desta saga, mantém o estilo já definido nos que o precedem: um ritmo lento, focando-se essencialmente na relação que existe entre os três protagonistas envolvidos num triângulo amoroso, e uma imagem marcante, com a cinematografia a cargo de Javier Aguirresarobe, já envolvido no filme anterior, e que trabalhou com Woody Allen, Pedro Almodôvar e outros realizadores de renome. A realização fica a cargo de David Slade, que nos trouxe já outro filme de vampiros “30 Days of Night” e que nos trouxe igualmente o filme onde se revelou Ellen Page, “Hard Candy”.
Não tendo lido os livros, não posso avaliar a qualidade da adaptação deste novo episódio, mas, dentro da linha dos anteriores, este é sem dúvida o filme mais completo dos três. Arriscaria mesmo dizer que, se alguém não tiver visto nenhum filme desta série e tiver curiosidade sobre ela, este é o filme a ver. Podendo perder alguns dos pormenores iniciais, rapidamente a estrutura amorosa se revela e reforça, sendo tudo o que é necessário num filme onde os detalhes do mundo de fantasia onde se passa são menos coerentes que esta relação.
Com algumas representações mais fortes do que outras, é curioso que Robert Pattinson, o “heartthrob” da série, faça de morto, já que dá ideia que um morto faria melhor papel do que ele. É duvidosa a substituição de Rachelle Lefevre por Bryce Dallas Howard, já que esta não traz nada de novo ao papel e não faz nada digno de nota; leva a crer que a vozes que disseram que se tratava apenas de trazer mais um nome sonante para o filme tinham razão.
Este é um filme que não vai desiludir os já fãs da série, mas não tornará em fãs as pessoas que já manifestavam reticências em relação à série. Sem entrar no descalabro do quarto livro, que irá ser adaptado para dois filmes, revela-se aqui alguns dos elementos mais polémicos de Meyer, o que poderá afastar quem os desconheça. Sem tomar em conta esse ponto, é um filme de qualidade técnica elevada, com o amor como tema e algumas cenas de acção, mas nada do que se poderia esperar se se falasse numa guerra entre vampiros com lobisomens à mistura há uns anos atrás. Ainda assim, é o melhor dos três filmes já filmados e, apesar das suas mais de duas horas, não se torna aborrecido ou desinteressante.
Ah… e Team Jacob all the way.
O Melhor: A imagem e o som
O Pior: Os problemas da série de livros onde se baseia.
A Base: Se alguém não tiver visto nenhum filme desta série e tiver curiosidade sobre ela, este é o filme a ver. 6/10
João Miranda

