‘Youth in Revolt’ por José Pedro Lopes

(Fotos: Divulgação)

 

 

O rosto mais associável à explosão do cinema adolescente indie é, provavelmente, Michael Cera. E para quem gostar deste registo cinematográfico, sobre deambulações adolescentes, hesitações crónicas, sonhos de juventude, e música indie melodiosa, a verdade é que Cera pode bem se tornar um vício.

O protagonista do oscarizado ‘Juno’ e de filmes indie curiosos, mas não 100% bem conseguidos, como ‘Paper Hearts’ (um falso documental sobre o amor) e ‘Nick and Norah’s Infinite Playlist’ (uma comédia romântica adolescente passada na cena de bandas de Nova Iorque), encontra em ‘Youth in Revolt’ um filme e um papel que fazem total justiça à sua capacidade como actor.

Nesta adaptação do livro do mesmo nome – datado de 1993, autoria de CD Payne e escrito em formato de diário – seguimos a história de Nick Twist (Cera) um rapaz virgem e muito envergonhado. Ele sente que vive rodeado por gente que está constantemente a fazer sexo, como os seus pais separados e respectivos relacionamentos funcionais. A sua vida de hesitações e embaraços vai ganhar rumo quando conhece Sheeni num parque de campismo. Mas a rapariga dos seus sonhos tem uma queda por homens bravos saídos do cinema noir da ‘Nouvelle Vague’ francesa. Por tal, Nick cria um alter-ego chamado Francois para o ajudar a conquistar Sheeni.

A força de ‘Youth in Revolt’ vem das suas personagens e dos seus actores: o seu enredo é algo previsível dentro do registo de comédia romântica indie onde se coloca mas a sua execução é deveras eficaz.

Michael Cera finalmente tem um papel que lhe exige ir mais além do jovem adolescente palerma mas querido que costuma fazer. O rebelde Francois – um Cera com uns olhos bizarros e bigodinho – transpira uma atitude surpreendente. Mas as demais figuras de ‘Youth in Revolt’ são também encantadoras.

A grande surpresa é a protagonista feminina Portia Doubleday que cria uma Sheeni que combina na perfeição a menina adorável, e a rapariga manipuladora. Das personagens secundárias, grande destaque para o sempre impecável Justin Long (‘Jeepers Creepers’) como o bizarro irmão de Sheeni ou para o veterano Fred Willard como um velho amigo de pai de Nick que é adorável. O filme conta ainda com secundários de luxo como Ray Liotta, Steve Buscemi e Zach Galifianakis (‘The Hangover’) com boas cenas cómicas.

No final de contas, ‘Youth in Revolt’ é uma excelente entrada no registo da comédia indie americana. Talvez a história beneficiasse de mais algumas complicações, e de mais aparições do alter-ego Francois, mas a verdade é que todos os valores do elenco do filme estão aqui a funcionar em perfeita sintonia.

E mais, ao contrário de muitos filmes no seu registo, ‘Youth’ tem uma combinação perfeita de juvenilidade com humor adulto (ao contrário do quase infantil ‘Nick and Norah’s Infinite Playlist’ ou do excessivamente pretensioso ‘Paper Hearts’). As duas sequências em que a personagem de Justin Long droga as demais são hilariantes, tal como os vários apontamentos de Francois quando decide ser rebelde e revoltado de forma gráfica e quase ‘cartoonizada’.


O melhor:
Todo o elenco, em especial Michael Cera como Francois e Portia Doubleday.

O pior: A história simplifica um pouco na recta final.

 

  A Base

‘Youth in Revolt’ é um desfile de personagens divertidas interpretadas por excelentes actores, liderado por um Michael Cera carismático como sempre mas mais versátil que do costume. 8/10

José Pedro Lopes

 

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