‘Robin Hood’ por José Pedro Lopes

(Fotos: Divulgação)

Ridley Scott é um realizador muito complicado de seguir: a sua competência é inquestionável e os seus méritos mais que muitos, mas tão depressa ele faz um filme notável como um filme banal. Infelizmente, ‘Robin Hood’ pertence à segunda categoria de filmes esquecíveis, muito por culpa de Scott.

Esta história de origem conta-nos como Robin Hood regressa das Cruzadas à sua Inglaterra para a descobrir em perigo: o novo rei é corrupto e ingénuo, e está inadvertidamente a abrir portas para um invasão francesa.

É interessante conhecer a origem de Robin Hood, e este filme dá-nos um lado mais histórico e humano a uma personagem que frequentemente é adaptada como um conto ou um mito. Na recriação da Inglaterra do século XII, o filme é bárbaro e violento como qualquer abordagem séria a essa época devia ser.

A história sai fortalecida por um elemento secundário ao mais alto nível. Cate Blanchet está tão boa quanto o papel algo desinteressante de Marion lhe permite, Max Von Sydow transpira carisma e William Hurt cativa como sempre.

A caracterização do mundo do século XII é bem mais realista aqui do que no filme dos anos 90 que contava com Kevin Costner. Os homens são porcos e brutos, e personagens como o padre ou os companheiros de Hood tornam o relato mais divertido mas também lógico.

No entanto, Russel Crowe é um actor com um registo muito limitado. E isso significa que este Robin Hood tem o músculo e o tom de voz pesado que Crowe oferece a todas as personagens, mas não tem nenhum carisma nas cenas românticas com Marion ou nos momentos mais descontraídos do filme. E parte da essência da personagem de Robin Hood, o rei dos ladrões, era o facto de ele ser um fora-de-lei carismático e encantador. Crowe não é nem uma coisa nem outra e aborda a personagem dentro da forma mais convencional possível.

Tematicamente e em registo, o filme faz obviamente lembrar não só “Gladiator” mas também “Kingdom of Heaven”, ambas obras superiores de Ridley Scott. “Gladiator” era grandioso e exagerado, cheio de discursos e momentos dramáticos ampliados. “Kingdom of Heaven” apresentava-nos uma história desconhecida para a maioria e com muita repercursão. “Robin Hood” não é nem interessante nem emocionante, e no final deixa o sabor desnecessário a prequela.

Talvez Scott tenha tentado evitar repetir “Gladiator”, mas a verdade é que oferece um filme muito descaracterizado. O romance de Robin e Marion sofre alguns saltos de coerência e a ligação entre a personagem de Robin e a família Loxley é explicada de uma forma pouco convincente.

O Melhor: As personagens secundárias (os companheiros de Hood, o padre da vila, Max Von Sydow).

O Pior: A pouca ambição de todo o projecto.

  A Base

“Robin Hood” está bem actuado mas nem Russel Crowe nem Ridley Scott elevam o filme acima do banal… 4/10


José Pedro Lopes

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