‘Daybreakers’ por Carla Calheiros

Os vampiros estão na moda. Seja em livros, no cinema, em séries de televisão ou mesmo em telenovelas, os vampiros estão definitivamente no meio de nós. Possivelmente este poderá ser o maior problema de “Daybreakers”, ser simplesmente levado na enxurrada de oferta vampírica do mercado.

O filme é escrito e realizado pelos gémeos Michael e Peter Spierig responsáveis por “Undead” um filme australiano que causou algum “hype”, inclusive na sua passagem pelo Fantasporto. Seis anos depois os Spierig chegam a Hollywood.

Estamos em 2019 e uma epidemia transforma a maior parte dos humanos em vampiros. O problema agora reside na falta de alimento, leia-se sangue, para a população. Os humanos, uma minoria de cinco por cento, tentam a custo sobreviver, sobretudo do exército, cuja missão é caçá-los para o cultivo de humanos.

As indústrias farmacêuticas dedicam-se agora à investigação de um alimento substituto ao sangue que permita a sobrevivência da espécie, e não a sua transmutação por canibalismo. Entre os investigadores está Edward Dalton (Ethan Hawke), um vampiro conformado que vai mostrando compaixão pelos humanos. Embora pudesse ter havido o cuidado de lhe dar pura e simplesmente outro nome, existe sempre lugar para mais um Edward no mundo dos vampiros.

“Daybreakers” tem muitas coisas a seu favor. Em primeiro lugar a base, um planeta de humanos em minoria. Depois a própria construção dos vampiros, seres civilizados, bem vestidos à anos 40, mas maus como as cobras, e claro sedentos de sangue. Outro ponto a reter é o humor negro contido, mas presente, em todo o filme – como o pedido do Tio Sam, ou a próprias punch lines de Willem Dafoe. Quanto aos protagonistas, Ethan Hawke está tão perdido e vulnerável como a sua posição no filme e convence, já Sam Neil tem um talento extremo para interpretar empresários do piorio.

Certo é que os irmãos Spierig chegaram a Hollywood com frescura e ideias novas para um género que é, muitas vezes, maltratado e secundarizado, e isso só é de aplaudir. Com o seu pequeno orçamento (15 milhões de dólares), os Spierig conseguiram criar uma obra com identidade própria, distanciando-se dos produtos mais recentes do mercado. É verdade que podemos não deixar de olhar para ele como um B-movie, mas cheio de carisma.

Por isso, é de acompanhar com expectativa os próximos trabalhos da dupla, que tem já um novo filme na manga. Sem esquecer, claro, que “Daybreakers” grita sequela por todos os lados.

O Melhor: A ironia e o humor.
O Pior: Ser arrastado na enxurrada de produtos do género Vampiros.

  A Base

Uma obra com identidade própria, distanciando-se dos produtos mais recentes do mercado… 7/10


Carla Calheiros

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