
Na noite dos Oscars, quando “El secreto de sus ojos” arrecadou a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro ao favorito Michael Haneke, o prémio foi considerado a surpresa da noite. Sobretudo porque a força do filme sobre o pré-nazismo de Haneke, aliado a todos os prémios conquistados, parecia garantir-lhe a vitória.
“El secreto de sus ojos” é realizado por Juan Jose Campanella, que é igualmente responsável pela adaptação do argumento. O filme é protagonizado por Ricardo Darin, um dos mais conceituados actores do cinema sul-americano. A parceria entre realizador e actor, que dura há mais de uma década, já nós trouxe obras tão tocantes e humanas como por exemplo “El hijo de la novia”.
A história acompanha Benjamin Esposito (Ricardo Darin), um oficial de justiça agora reformado que se esforça por romancear um caso que o marcou definitivamente nos últimos 25 anos. Começamos então a fluir na narrativa agora em duas linhas temporais, a do passado e a do presente. E assim se começa a desenrolar um complexo novelo emocional que parte de um acto tão simples como violento: a violação e homicídio de uma jovem professora.
Sempre enquadrado pelo regime político da Argentina na década de 70, Esposito acompanha o caso e fica tocado pela entrega de amor incondicional de Ricardo Moralles (Pablo Rago), o jovem viúvo, à sua defunta esposa, e pela perseguição que este tenta fazer ao suspeito do assassinato.
Inconformado com o resultado do caso, Esposito mergulha nas suas memórias e investigações, principalmente no relacionamento com o seu colega alcoólico Sandoval (Guillermo Francella), e o amor platónico pela sua chefe Irene (Soledad Villamil). E sobretudo mostra-nos de uma forma por vezes subtil, por vezes com laivos de thriller, como aquele acontecimento afectou a vida de todos os que tiveram algo a ver com o crime.
Com um ritmo conveniente, intercalado por rasgos de humor (sobretudo da personagem de Sandoval), “El secretos de sus ojos” é um filme que, como o seu nome indica, vive muito da expressividade dos seus actores, mostrando que em cineastas como Campanella nem tudo precisa de ser dito para ser sentido. Por último, uma palavra para o trabalho de caracterização, que envelhece de forma convincente os actores, não deixando inclusive de lhes acentuar o sofrimento no rosto.
O final, pleno de um simbolismo arrebatador, acaba por satisfazer, sem juízos de valor, qualquer espectador. Por isso mesmo, e voltando ao favoritismo de Haneke, “El secreto de sus ojos” mostrou-se um digno vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, e é um dos filmes obrigatórios a ver em 2010.
O Melhor: A interacção dos actores.
O Pior: Nada a assinalar.
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| “El secreto de sus ojos” mostrou-se um digno vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, e é um dos filmes obrigatórios a ver em 2010…. 1o/10 |

