‘Kick-Ass’ por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

“Kick-Ass” é o novo filme baseado num comic a ser adaptado ao ecrã. Depois de ser rejeitado pelas maiores produtoras da indústria, o realizador Matthew Vaughn terá arranjado ele o dinheiro para poder filmar este projecto. Apesar das suas raízes independentes, este filme acaba por ser mais um blockbuster de verão sobre super-heróis.

O filme segue um adolescente, fã de comics e de super-heróis, que, apesar de não possuir qualquer poder, resolver seguir o exemplo destes e lutar contra o crime. Como seria de esperar, as suas primeiras incursões como herói não correm assim tão bem, mas acaba por ganhar atenção na internet quando um vídeo seu aparece no youtube e é apanhado pelas notícias como um exemplo contra a apatia das pessoas em geral. E é aqui que acabam as boas intenções. Depois disto, rapidamente se torna em mais um filme de super-heróis com muita violência, como é costume no género e, neste caso, bastante exagerada.

Há, nos países de língua inglesa, uma grande polémica porque existe no filme uma personagem feminina, representada por Chloe Moretz, que na altura tinha só 11 anos, que usa uma linguagem muito forte, em particular uma palavra que é, nessa língua, a pior das palavras e habitualmente evitada no chorrilho de asneiras que percorrem o cinema actual. Por cá, essa polémica não se verificará, mas a ideia de que uma criança tão nova esteja a participar de actos de tanta violência (é ela que tem o maior bodycount no final do filme), poderá levantar várias questões, incluindo a estranha sensação de que é usada, tão nova e de sexo feminino, para evitar o argumento da violência como um estereótipo jovem e masculino.

Este filme poderia, se levado a sério, levantar muitas questões e facilmente se tornar moralmente condenável, mas essa não é, de todo, a sua natureza. É um filme com raízes profundas na cultura dos comics e dos super-heróis, e com todos os problemas desta cultura, cujo objectivo principal é o de divertir. Pais preocupados podem discutir com os filhos sobre o realismo das posturas e atitudes, mas aposto que ficarão surpreendidos com a resposta dos filhos, habituados que estão às diferenças entre esta cultura e a dos videojogos e a da realidade que os rodeia.

O Melhor: Hit-Girl, sem dúvida que rouba o filme todo.
O Pior: Há um elemento de desconforto na utilização dessa mesma personagem.
 

  A Base

É um filme com raízes profundas na cultura dos comics e dos super-heróis e com todos os problemas desta cultura, cujo objectivo principal é o de divertir. 6/10

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