‘Law Abiding Citizen’ por Carla Calheiros

(Fotos: Divulgação)

Partindo duma premissa que não é nova mas que demonstra algum interesse, “Law Abing Citizen” é um filme que poderia ser muito melhor senão fosse a visão exacerbada de acção e violência que lhe foi impressa.
Tudo começa num assalto. Clyde Shelton (Gerard Butler) vê a sua mulher e filha serem assassinadas. Posteriormente vê o procurador Nick Rice (Jamie Foxx) fazer um acordo com um dos assaltantes que lhe atribuirá uma pena menor, se ele colaborar e colocar o seu parceiro no corredor da morte. Clyde fica revoltado, e tem razão. Descrente na justiça, passa 10 anos a engendrar uma vingança que começará com a execução do primeiro assaltante.

Até aqui perfeito, pensamos nós. O ritmo é bom, adequado e quando Clyde é preso o espectador já está agarrado. Seguem-se então os encontros entre o procurador e o, agora, prisioneiro que visam a confissão das mortes dos assassinos da sua família. A partir daqui Clyde começa a manipular a polícia, e a comandar de dentro da sua cela um plano que visa matar todos os envolvidos no julgamento.

Aqui dá-se a verdadeira reviravolta. E o que até então se revelara um filme interessante começa a transformar-se. E assim vão sendo intervaladas sequências de diálogos pseudo-filosóficos entre os dois antagonistas, e um acumular de cenas de acção, e mortes, que desafiam bastante as leis do racional.

É verdade que algumas das sequências e revelações serão capazes de nos surpreender. Mas há muito que está, simplesmente, a mais neste filme, como por exemplo, a tentativa relativamente idiota de explicar quem foi, afinal, Clyde Shelton no passado.

A construção dos personagens não é particularmente cuidada, sobretudo a de Jamie Foxx e da restante equipa de procuradores. E deparamo-nos com um pensamento: será Clyde Sheldon assim tão inteligente, ou serão os seus adversários que deixam a desejar?

Descendo a pique depois da primeira meia-hora, o filme tem ainda reservado o pior para o fim, com uns minutos finais a lembrarem mais um filme à Steven Seagal, do que um thriller que aparenta ter ido beber (muito ligeiramente) algumas influências a “Se7en”. Um filme com algum interesse que se vai perdendo pelo caminho e que nos deixa com a sensação de que poderia ter sido muito melhor.

O melhor: A primeira metade do filme quase toda.
O pior: A cena final.

  A Base

Um filme com algum interesse que se vai perdendo pelo caminho e que nos deixa com a sensação de que poderia ter sido muito melhor……5/10

Carla Calheiros

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