‘Dorian Gray’ por Carla Calheiros

(Fotos: Divulgação)

Oliver Parker não é um estranho à adaptação de clássicos aos cinemas. Em 1995, iniciou a sua carreira de realizador com uma adaptação do complexo “Othello”, de Shakespeare, seguindo-se duas bem conseguidas adaptações de obras de Oscar Wilde: “An Ideal Husband” e “The Importance of Being Earnest”. Por isso, não é de estranhar que Parker acabasse por adaptar ao cinema aquela que é, possivelmente, a obra mais conhecida de Wilde, “The Portrait of Dorian Gray”.

A história, muitas vezes adaptada, é sobejamente conhecida: um jovem e ambicioso herdeiro troca a sua alma pela possibilidade de ter juventude eterna. Para encarnar o cruel Dorian Gray, Parker optou por Ben Barnes, que foi o Prince Caspian na saga das Crónicas de Nárnia. Barnes tem quase tudo o que é preciso para ser Dorian Gray, é jovem, é belo, mas não é suficientemente perverso e cruel. Pessoalmente preferi, até, ver Stuart Townsend como Dorian, no fraquíssimo “League of Extraordinary Gentlemen”.

Ao lado de Barnes, como Lord Henry Wotton encontramos Colin Firth, um dos actores habituais dos filmes de Parker, que se apresenta aqui em mais um desempenho competente, claramente acima dos colegas de elenco.

A cinematografia está irrepreensível e a época, com o seu retrato de costumes e alguma podridão social convincentes. No entanto, e quando um filme vive tanto do seu protagonista não pode haver um erro de casting, não estando Ben Barnes claramente à altura do desafio.

Por isso mesmo, este “Dorian Gray” é um filme interessante para quem nunca teve qualquer contacto com a obra de Oscar Wilde, e queira conhecer a sua história. Para quem leu ou livro, ou já viu outra adaptação, esta versão vai saber a pouco.

O Melhor: Colin Firth.
O Pior: Ben Barnes não convence.

  A Base

É um filme interessante para quem nunca teve qualquer contacto com a obra de Oscar Wilde…..5/10

Carla Calheiros

Últimas