
Após quatro colaborações podemos dizer que Leonardo DiCaprio e Martin Scorsese são uma dupla de sucesso. Ninguém consegue salientar as potencialidades de DiCaprio como Scorsese, e o actor retribui com uma entrega extrema a cada papel. “Shutter Island” não é excepção.
“Shutter Island” chegou tarde para a corrida aos prémios referentes a 2009, por isso não seria de estranhar que a sua estreia fosse atrasada para o último trimestre, para piscar o olho aos prémios geralmente mais atribuídos aos filmes que estreiam nessa época. Mas apetece-me aplaudir de pé a atitude do realizador, tantas vezes ignorado, de estrear o filme no início do ano. Mas não deixem que a data de estreia vos engane, “Shutter Island” é certamente um dos melhores filmes que vão passar pelas salas de cinema em 2010.
Estamos em 1954, o desaparecimento de uma paciente de uma instituição mental em Shutter Island motiva a visita de dois U.S. Marshals que investigam. A partir deste momento, e desde o primeiro frame ,em que um ferry rompe uma cortina de nevoeiro, sabemos que vamos entrar num mundo diferente. Assolada por uma terrível tempestade a ilha fica isolada, os doentes fogem das suas celas e os dois Marshals são apanhados no meio do caos.
O receio de ver Martin Scorsese afastar-se tão linearmente do que costuma fazer é esbatido nos primeiros minutos. A cinematografia é esteticamente perfeita, a ambiência das imagens e a paleta de cores é soberba. O filme é sufocante, constrangedor, mas todo o ambiente insano, paranóico e sombrio de “Shutter Island” nos aproxima de Teddy Daniels (Di Caprio), um polícia traumatizado com o passado.
A escolha do casting é certeira com Mark Ruffalo, Ben Kingsley e Max Von Sydon a secundarizarem de forma brilhante mais um desempenho – digno de uma alta nota – de DiCaprio. E o melhor é dizer pouco mais, pois qualquer pequeno “spoiler” pode privar o espectador da experiência de ver “Shutter Island”, embora a vontade de o rever seja automática.
O detalhe de todos os pormenores do filme é brilhante, todos os pequenos trejeitos do filme têm um significado. E acredito que até a semelhança entre Elias Kosteas, que interpreta Laeddis, e Robert de Niro não tenha sido uma mera casualidade.
Martin Scorsese mostra aqui o que de melhor sabe fazer, cinema. Revisitando os elementos dos “filmes noir” e demonstrando uma forma incrível, Scorsese brinca com a câmara, joga com sombra e luz com a mestria que só um verdadeiro cineasta consegue. Manipula o espectador com a história que conta e, como um personagem nos relembra, também nós somos ratos, num labirinto.
O Melhor: O ambiente claustrofóbico.
O pior: Não termos um filme destes todos os meses.
| O filme é sufocante, constrangedor, mas todo o ambiente insano, paranóico e sombrio de “Shutter Island” nos aproxima de Teddy Daniels…..9/10 |

