‘The Imaginarium of Dr. Parnassus’ por Carla Calheiros

(Fotos: Divulgação)

Em finais de Janeiro de 2008 o mundo acordou em choque com a notícia da morte do jovem actor Heath Ledger. Foi então aguardada com expectativa a estreia do novo “Batman”, onde Ledger tinha uma performance muito elogiada como Joker, que acabaria por arrecadar um Oscar de Melhor Actor Secundário a título póstumo.

No entanto o actor já estava a trabalhar noutro projecto com Terry Gilliam. Com mais de metade das filmagens concluídas Gilliam recebeu a notícia da morte de Ledger, um dos seus protagonistas, e pensou em cancelar mais uma vez um projecto.

Na verdade “The Imaginarium Of Dr. Parnassus” acaba por chegar às salas de cinema pela prestação de Jude Law, Johnny Depp e Colin Farrell que terminaram as filmagens em falta do papel inicialmente interpretado por Ledger. Confusos? Bem não podemos esquecer que estamos a falar dum filme de Terry Gilliam onde uma ténue linha separa a realidade do sonho e do bizarro, logo tudo é possível.

Mas falemos do filme. Dr. Parnassus tem um decadente espectáculo itinerante de leitura de mentes. O dinheiro escasseia e o espectáculo já atrai poucas ou nenhumas almas. Certo dia Parnassus e a sua trupe encontram um homem enforcado e sem memória (Ledger), que ira tentar dar vida ao espectáculo e salvar Parnassus de um pacto que fizera muitos anos antes com o diabo em troca da imortalidade.

A decadência exterior e contraposta com os magníficos cenários que estão guardados por trás de um espelho e na mente de Parnassus. A meio caminho entre o moderno e o antigo, “The Imaginarium Of Dr. Parnassus” vai buscar efeitos fantásticos como o templo de Parnassus, e outros efeitos que roçam o ridículo como o diabo transformado em rio. Assim sendo a aventura acaba por ser de tal forma delirante e ambiciosa que acaba por perder espectadores a meio do caminho.

No plano geral não surpreendem as nomeações ao Oscar não só no campo dos figurinos, como na direcção artística. Entre os actores os desempenhos são regulares, estando o destaque reservado para o cantor Tom Waits com seu muito pomposo Diabo, e para Vern Troyer no papel de Percy, o mais fiel servidor e amigo de Parnassus.

“The Imaginarium Of Dr. Parnassus” merece uma espreitadela, sobretudo para os devotos fãs do antigo Monty Python. Parnassus está alguns pontos abaixo de outras obras de Gilliam, e o seu maior problema acaba por ser a sensação de que, embora com um fim, “The Imaginarium Of Dr. Parnassus” é uma obra inacabada.

O melhor: Tom Waits
O pior: Dar a sensação de ser um filme inacabado.


Merece uma espreitadela sobretudo para os devotos fãs do antigo Monty Python….5/10

Carla Calheiros

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