‘The Blind Side’ por Carla Calheiros

(Fotos: Divulgação)

Sandra Bullock encontrou a sua Erin Brockovich. Depois de todas as distinções que lhe foram atribuídas, confesso que comecei a ver este filme com um sentimento pré-concebido: “Ora vamos lá ver se a Sandra Bullock mereceu mesmo ganhar um Oscar!”. E se isto é suficiente para ter alguma parcialidade na apreciação, o meu amargo de boca aumentou depois de ver esta fita.

Mas falemos de “The Blind Side”. Baseado numa história verídica, geralmente tão do agrado da Academia, o filme conta-nos a vida de Michael Oher um pobre diabo deixado ao Deus dará pela vida, mas que acaba, devido ao seu corpanzil e potencial para o desporto, por entrar numa selecta escola católica.

É lá que o seu caminho se cruza com o de Leigh Anne Tuohy, uma herdeira rica, casada com um ex-desportista, que resolve acolhê-lo no seu lar. Sem colocar em causa a nobreza do acto de Leigh Anne, é a própria que questiona se na bondade do seu acto não poderá estar camuflado um interesse nas capacidades atléticas do jovem.

Mas vamos por partes. “The Blind Side” é um filme que tem tudo para agradar ao público americano. Cultiva a família, é protagonizado por uma das suas actrizes de eleição, aborda a temática do desporto escolar, e o futebol americano em particular. Também é tratada a dicotomia republicanos versus democratas, mas de forma tão ligeira que até pode passar despercebida. Tudo é mascarado de tão belas cores, e sem grandes brutalidades de forma a não ferir susceptibilidades, que até os jogadores de futebol americano parecem meiguinhos.

As personagens são unidimensionais, são bonzinhos e pouco mais. Por isso mesmo o filme ganha uma aura enorme de desapego emocional, e a maioria de nós não perceberá a ligação da família Tuohy a Michael Oher. Mas a verdade é que eles tem, e vivem cheios de sorrisos, de boa vontade, e sempre em paz e harmonia. Abençoados!

Entre os actores, destaca-se claro Sandra Bullock, Leigh Anne é desbocada e até divertida, mas nada que deslumbre por aí além. E confesso que nem sequer compreendo o hype em torno desta actuação, em específico. Já Kathy Bates, de longe a personagem mais interessante da história, é servida em doses moderadas para que não fosse ofuscar a protagonista.

Resumindo, este um filme agradável, sem grandes expectativas, para um domingo à tarde em família.


O Melhor:
O discussão de Leigh Anne na assistência social.

O Pior: Este filme merece mesmo um Oscar? E de Melhor Actriz? Mesmo?


Um filme agradável, sem grandes expectativas, para um domingo à tarde em família…..5/10

 Carla Calheiros

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