‘The Lovely Bones’ por Carla Calheiros

(Fotos: Divulgação)

Deixando para trás as jornadas de “The Lord of the Rings” e de “King Kong”, Peter Jackson não podia ter surpreendido mais os seus fãs com a escolha do seu novo trabalho, ao adaptar ao cinema o livro “The Lovely Bones” de Alice Sebold. Sem quaisquer subterfúgios, as cartas são postas na mesa nos primeiros minutos: Susie Salmon foi assassinada e apresenta-nos o seu assassino. Demasiado presa aos laços que criou na Terra, Susie vive num limbo entre o céu e a terra, de onde vai narrando o que se passa com a sua família.

Mais do que uma caça ao homem, “The Lovely Bones” é um filme sobre a capacidade de seguir em frente depois de uma morte, tanto para quem fica, como para quem morre. Mesmo a pender de forma quase envergonhada para o melodrama, Jackson não deixou os seus créditos por mãos alheias, e apostou nos efeitos visuais, sobretudo no limbo de Susie. O problema num filme destes é quando se aposta no visual em detrimento do emocional.

No campo do drama, Jackson mostra que esta não será certamente a sua praia, e o filme carece de alguma envolvência emocional que permita que o espectador sinta pelo menos alguma empatia com aqueles pais.

Quanto ao elenco, recheado de nomes sonantes, há uma enorme falta de uniformidade nas interpretações. Por um lado estão assassino em vítima. Nomeado ao Oscar de Melhor Actor Secundário, Stanley Tucci está excelente no papel de um homem cheio de trejeitos e tiques esquisitos que ninguém vê, porque ninguém lhe prestar real atenção. Igualmente num desempenho emocionalmente positivo está a jovem Saoirse Ronan, um nome a fixar, no papel da atormentada Susie.

Do lado oposto estão Rachel Weisz e Mark Wahlberg. Sobretudo este último, cuja missão seria a de nunca desistir de encontrar Susie, O actor está sem emoção, angustia e constrangimento que, por exemplo, Nuno Lopes criou em “Alice”.

Que Peter Jackson filma bem e cria belos cenários para os ecrãs de cinema, já sabíamos. Por isso impunha-se aqui perceber se pegando numa temática tão emocional como a pedófilia, e o desaparecimento de uma criança, ele conseguiria criar um cenário sentimentalmente mais denso. Mas não.

“The Lovely Bones” é um filme simpático, bem feito, mas que tal como Susie Salmon fica no limbo por não se querer assumir especificamente como um drama.


O Melhor:
Stanley Tucci

O Pior: O desaproveitamento de actores como Susan Sarandon e Michael Imperiolli.


Um filme simpático, bem feito, mas que tal como Susie Salmon fica no limbo por não se querer assumir especificamente como um drama…..6/10

 Carla Calheiros

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