Os filmes passados em cenários pós-apocalípticos estão na ordem do dia. Cada vez mais o cinema não se coíbe de apresentar fenómenos que devastam a terra, e “The Book of Eli” não foge a essa regra. O mundo entrou em guerra há 30 anos, o céu abriu um buraco, e o sol desceu acabando por queimar tudo. Hoje o planeta não passa de um deserto árido.
Aqui encontramos Eli, um caminhante com uma missão: levar a bom porto um livro, a única bíblia que restou à devastação da terra. Pelo meio será confrontado por Carnegie, um homem ambicioso que explora a pobreza dos seres humanos, e que deseja possuir o livro que Eli guarda.
Afastados do cinema desde 2001, quando realizaram “From Hell”, conhecido entre nós como “A Verdadeira História de Jack, o Estripador”, os irmãos Hughes regressam agora à realização com esta obra. Curiosamente, “The Book of Eli” e “From Hell” partilham em última instância do mesmo problema. Ambos partem de excelentes premissas e de histórias interessantes que não conseguem ser completamente cativantes.
Os primeiros minutos do filme são de um impacto tremendo. Um homem só, um livro e um rádio. Não foram precisas quaisquer palavras para que qualquer espectador perceba que o planeta está feito num caco. Pena é que a partir dai os Hughes tenham optado por tornar os passos de Eli numa boa desculpa para algumas cenas de acção.
Por outro lado, confesso que estou tão saturada de ver Gary Oldman como vilão, como o próprio actor estará de interpretá-los. O seu Carnegie não trás nada que não tivéssemos visto antes, apesar de estar em boa forma. Quanto a Denzel Washington, este encarna uma mistura entre um pregador e um herói de acção, que nem sempre se conjugam da melhor forma.
Assim sendo, os destaques acabam por ir direito para Tom Waits, que quase rouba o filme em duas cenas, e para a jovem Mila Kunis, a jovem de “That 70’s show” agora crescida, capaz de ombrear com Denzel Washington em cena.
A mensagem religiosa sobre a bíblia e o seu poder está adjacente ao filme, mas deixo a análise dessa caiba a cada um. Certo é que desde “Pulp Fiction” que não se via ninguém citar a bíblia e a disparar para matar em seguida.
Assim sendo, os Hughes acabam por não construir um épico, mas um filme com algum interesse e alguma acção, mas que nos deixa sempre com a sensação de que poderia ter chegado ainda mais longe.
O Melhor: Os minutos iniciais.
O Pior: Gary Oldman como vilão, outra vez!
| Um filme com algum interesse, alguma acção mas que nos deixa sempre com a sensação de que poderia ter chegado ainda mais longe….6/10 |

