
Sem comprometer a história original, Burton filma a sua Alice de uma forma muito sombria e caricatural. Basta pensar na Rainha Vermelha versus a Rainha Branca. Neste duelo particular, Anne Hathaway vence, como a angelical e doce rainha branca, face a Helena Boham Carter, limitada – praticamente – ao acto de mandar cortar cabeças. Johnny Depp não desilude como o chapeleiro louco, e Crispim Glover saca uma das melhores actuações como o valete do mal.
De resto falta a Alice a resiliência e a obstinação da sua original, mas não deixa de cumprir o seu papel. A direcção artística do filme é, sem surpresas, extraordinariamente competente, os cenários absolutamente deslumbrantes.
Concluindo, “Alice in Wonderland” – longe de ser o melhor trabalho de Tim Burton – não deixará de encantar miúdos e graúdos.
O melhor: O gato Chess, mas aparece muito pouco.
O pior: Sentirmos que os limites da imaginação de Burton podem ter sido “aparados”.
| Longe de ser o melhor trabalho de Tim Burton não deixará de encartar miúdos e graúdos….8/10 |
Dado a sala disponível ser pequena e os lugares não serem marcados, quem quis ficar bem localizado esperou, ordeiramente à porta, mais de 30 minutos até que as portas abrissem e cerca de mais meia hora, já no lugar, para que o filme tivesse início.
Por isso tudo, e se o 3D caminha realmente para ser o futuro do cinema, exige-se no mínimo aos proprietários das salas de espectáculo: um maior respeito pelo público que ainda os visita – e que é claramente cada vez em menor número – e que não transformem o cinema num luxo apenas acessível a poucos.

