‘Alice in Wonderland’ por Carla Calheiros

(Fotos: Divulgação)

Qualquer filme com assinatura de Tim Burton é um valor seguro. Assim sendo, não é de estranhar que “Alice in Wonderland” me tenha despertado a maior das curiosidades não só pela sua exibição em 3D, como por recriar as personagens delirantes e assustadoras da minha infância. No entanto, no caso de “Alice”, nota-se que a tecnologia ainda está numa fase demasiado embrionária para nos surpreender com algo nunca visto.

Sem comprometer a história original, Burton filma a sua Alice de uma forma muito sombria e caricatural. Basta pensar na Rainha Vermelha versus a Rainha Branca. Neste duelo particular, Anne Hathaway vence, como a angelical e doce rainha branca, face a Helena Boham Carter, limitada – praticamente – ao acto de mandar cortar cabeças. Johnny Depp não desilude como o chapeleiro louco, e Crispim Glover saca uma das melhores actuações como o valete do mal.

De resto falta a Alice a resiliência e a obstinação da sua original, mas não deixa de cumprir o seu papel. A direcção artística do filme é, sem surpresas, extraordinariamente competente, os cenários absolutamente deslumbrantes.

Concluindo, “Alice in Wonderland” – longe de ser o melhor trabalho de Tim Burton – não deixará de encantar miúdos e graúdos.

O melhor: O gato Chess, mas aparece muito pouco.

O pior: Sentirmos que os limites da imaginação de Burton podem ter sido “aparados”.


Longe de ser o melhor trabalho de Tim Burton não deixará de encartar miúdos e graúdos….8/10

 

 
 
Uma última nota para a minha experiência pessoal sobre as condições de visionamento do 3D em sala: parece-me incompreensível que um filme que arrasta muito público às salas no seu fim-de-semana de estreia não seja colocado, pelo menos no cinema Alvaláxia, na maior sala do recinto.

Dado a sala disponível ser pequena e os lugares não serem marcados, quem quis ficar bem localizado esperou, ordeiramente à porta, mais de 30 minutos até que as portas abrissem e cerca de mais meia hora, já no lugar, para que o filme tivesse início.

Não só isso mas o bilhete normal tem o custo de 9,90 euros, o que inclui sempre a compra dos óculos 3D, independentemente de o cliente já ter, ou não, os mesmos.

Por isso tudo, e se o 3D caminha realmente para ser o futuro do cinema, exige-se no mínimo aos proprietários das salas de espectáculo: um maior respeito pelo público que ainda os visita – e que é claramente cada vez em menor número – e que não transformem o cinema num luxo apenas acessível a poucos.

Carla Calheiros

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