‘Precious: Based on the Novel Push by Sapphire’ por Carla Calheiros

(Fotos: Divulgação)
Confesso que estava muito dividida antes de ver este filme. Por um lado, tinha curiosidade de ver este “outsider” que acabou por se elevar ao estatuto de oscarizavel, e com o nome de Oprah Winfrey na produção. Por outro lado, a dramática sinopse deixava-me renitente em relação ao que iria afinal ver.

Ninguém pode tirar a “Precious” o título de dramalhão do ano. Resumir a sinopse em algumas linhas seria apenas enumerar as desgraças da pobre Clarence Precious Jones, uma adolescente negra, obesa e iletrada do bairro de Harlem, alvo de todo o tipo de abusos. A acção tem início em 1987, mas na trágica história desta Precious, e de outras que possam existir, a época é irrelevante, pois a sociedade em que vivemos, cada vez mais alienada dos problemas sociais, é intemporal.

Precious vive humilhada e subordinada à mãe Mary que a culpa pelo abandono do pai violador. Quando é expulsa da escola por causa da segunda gravidez, Precious acabar por encontrar esperança e apoio numa escola alternativa.

Aliás, a própria Precious cria para si um mundo de fantasias, onde até fala com fotografias como Amelie Poulain, e onde consegue escapar de toda a miséria em que vive.

Lee Daniels tentou ao máximo equilibrar os poucos momentos harmoniosos de Precious com os abusos de que era vitima, tornando assim o filme mais suportável ao espectador. E no fundo, “Precious” acaba por ser, em última instância, uma história de esperança e coragem.

Mas, nem só na produção aparecem grandes nomes associados a “Precious”. Entre os secundários estão dois cantores fora das suas lides: Mariah Carrey e Lenny Kravitz – que sem um brilho digno de grande relevo cumprem as suas funções.

No entanto, a vida do filme está em dois nomes que dificilmente veríamos nestas andanças: a estreante Gabourey Sidibe, e a comediante Mo’nique. Gabourey Sidibe consegue afastar a sua Precious da imagem de uma mera pobre coitada e dar-lhe a dignidade possível. Já Mo’nique encarna um monstro de forma tão credível que chegamos a odiá-la visceralmente. Ou seja, missão cumprida!

O Melhor: Mo’nique. A mensagem de esperança.
O Pior: Pensar que existem mesmo Mary’s por ai.

A Base
Um drama duro que não desilude quem estiver disposto a enfrentá-lo… 6/10

Carla Calheiros

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