
A verdade é que Haneke não é um cineasta fácil, e como tal “Das weisse Band” também não é um filme simples de digerir. Mas não é reflectir sobre um filme um dos melhores desafios do cinema?
Contrariamente a outros filmes como “Le temps du Loup”, em que Haneke nos ia angustiando com longos silêncios, “Das weisse Band” é um filme muito falado, ou melhor, muito narrado em jeito de memória.
Estamos na Alemanha rural do início do século XX. Numa pequena comunidade vive-se um clima dominado pela religiosidade e pela austeridade. A sociedade é ainda feudal. Um barão é dono das terras que empregam a população. As outras figuras com algum destaque social são o pastor protestante e o médico da comunidade. O narrador desta história é o jovem professor da escola primária, um forasteiro, que tenta, sem sucesso, ganhar raízes naquela comunidade.
Após um atentado contra o médico da cidade, surgem alguns acontecimentos estranhos que vão abalar a paz da comunidade, pois como o pastor faz questão de salientar na igreja, numa comunidade tão fechada o responsável tem de estar entre eles.
É aqui entra a conhecida mestria de Haneke, optando pela fotografia a preto e branco. O realizador ajuda a acentuar as expressões dos rostos sombrios, culpados, assustados. Tudo de forma subtil, e Michael Haneke é igualmente um perito em comandar e manipular as expectativas do espectador num clima de suspense e angustia que se arrasta por todo o filme. E enquanto os pecadores vão sendo castigados, apercebemos que não há inocentes.
Neste filme, pouco ou nada é deixado à toa. O alemão, só por si uma língua que nos transmite austeridade, expressa plenamente o clima do filme. As crianças são tratadas com base na educação do medo, com uma rigidez perturbadora perante os falsos moralistas da sociedade. Poderão então ser as crianças as responsáveis por punir os pecadores?
Neste ponto impõe-se um pequeno aparte. Tal como “Le Temps Du Loup”, também a esperança aqui surge pela mão de uma jovem de nome Eva. Neste caso a jovem Eva é o objecto de desejo do jovem professor que vai tentando desposá-la, e fixar-se com ele na perturbadora comunidade.
Os actores são de uma forma geral fantásticos, não mas podia deixar de destacar Leonard Proxauf, o jovem que faz o papel de Martin, filho do pastor. O seu rosto é de tal forma perturbado e perturbador que a sua imagem ficou cravada na minha mente. Não admira que tenha sido escolhido para o cartaz do filme.
Concluindo, “Das Weisse Band” é um filme bom, muito bom. Pleno de subtilezas, Haneke prova que muitas vezes basta abrir um bocadinho o jogo e deixar que o espectador conduza o resto do caminho. Se ao menos M Night Shymalan tivesse feito “The Village” depois de ver este “Das Weisse Band”…
O Melhor: Praticamente tudo, mas a bela fotografia a preto e branco destaca-se.
O Pior: Por ser alemão e a preto e branco poderá passar ao lado.
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| “Das Weisse Band” é um filme bom, muito bom. Pleno de subtilezas, Haneke prova que muitas vezes basta abrir um bocadinho o jogo e deixar que o espectador conduza o resto do caminho.. 8/10 |

