
É um filme tecnicamente cuidado. Largando as regras rígidas do estilo Dogma, Von Triers consegue explorar o meio de uma forma que não pode até aqui, lembrando a obra de outros realizadores como David Lynch. As representações das duas personagens principais são sustentadas com mestria por Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg.
No início do filme vê-se o casal a lidar com a perda do filho e o processo de luto por parte de Charlotte que, tirada do hospital e da medicação pelo seu marido terapeuta, aceita relutante entrar num processo terapêutico com ele. O ritmo é lento e baseia-se essencialmente no diálogo entre os dois, com alguns acontecimentos estranhos pontuais, mas aos quais não parece haver ainda um esforço de atribuir qualquer significado. Até ao momento em que uma raposa que Willem descobre no bosque se vira para a câmara e diz “O Caos reina”. E reina mesmo. O filme descarrila e perde qualquer coerência que podia ter tido até aqui.
Se até aqui o filme se poderia descrever como aborrecido, Von Triers resolve trocar o aborrecimento pela total incoerência e pela sua fantasia misógina de salvador emasculado, todavia centrada no phallus, mesmo que in absentia deste, permanecendo o seu papel patriarcal de significador. A cena final é absolutamente hilariante do extremo ridículo que atinge. Sobre este filme poder-se-iam escrever várias teses sobre teoria de género, mas isso não o tornaria melhor.
É um filme muito desagradável e a evitar.
O Melhor: A técnica (som e imagem) e as representações
O Pior: A fantasia de Lars Von Triers
| A Base |
| É um filme muito desagradável e a evitar…. 2/10 |

