“Away we go” por André Gonçalves

(Fotos: Divulgação)
 

 
Sam Mendes está de volta e aparentemente menos sério, desde a última vez que o vimos atrás das câmaras no poderoso “Revolutionary Road”. E por isso, será fácil reduzir este “Away We Go” a um mero filme “light”, que vive tanto do par central de desconhecidos como de secundários famosos efémeros que vão ajudando às gargalhadas geradas. Seria também fácil reduzir este a apenas mais um “road movie” pela América fora, entre os muitos que se fizeram já, onde os protagonistas se cruzam com várias visões bem radicais, e “sketchizadas”. Mas não serei eu a fazê-lo, pelo menos. 
Factos: estamos perante um “road movie” pela América do novo século, é certo. Nada de novo aqui, aparentemente. As personagens encontradas pela viagem podem não ser as mais complexas do ano, mas estarão certamente entre as mais divertidas. Todas elas. (!)
E acima de tudo, este é um filme com plena consciência do que está a fazer – mesmo quando lida com personagens-tipo como as que encontramos aqui, nunca se distrai realmente do que é essencial, sentido-se até uma descartabilidade positiva de todas as personagens extra-casal. E tem um coração com pulsação bem acima da média, diga-se de passagem (quem for ver o filme, perceberá). 
O elenco de secundários é à partida o grande chamativo, mas será impensável não sair do cinema sem pensar em dois nomes: John Krasinski e Maya Rudolph, que formam aqui o casal protagonista. O argumento de Dave Eggars e Vendela Vida é um poço cada vez mais raro de criatividade e referências, além de ser dotado de uma ternura irresistível, e a realização de Mendes é aqui estranhamente mais subtil que o habitual. Esta é uma mudança bem recomendada para um cineasta que precisava bem de recuperar algum humor. E um dos filmes mais agradáveis da temporada. 
O Melhor: Os actores e o argumento divertido, hilariante e com o coração no devido lugar. 
O pior: Todas as personagens secundárias poderão parecer apenas motivos para sacar gargalhadas, embora sejam gargalhadas bem merecidas. 
 A base: “[…]um dos filmes mais agradáveis da temporada.” 
 
8/10

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