Eu sou um grande fã do James Cameron. É bom começar por aqui, para não haver mal entendidos. Cresci a chorar com o final de “Terminator 2” e a considerar “Aliens” o filme de acção mais fixe que havia visto. E “The Abyss” era “o outro” filme de extra-terrestres que adorava para além de “ET” de Steven Spielberg.
Já mais crescido, confesso que gostei muito de “Titanic”. Fui ao cinema várias vezes ver, com pessoas que já não iam ao cinema há dezenas de anos. E sinceramente, o tipo de comoção que os filmes de James Cameron geram são, para mim, uma das magias e lógicas do cinema. Ouso até dizer mais, são um pouco a chave da sua sobrevivência.
“Avatar” é um “blockbuster” arrasador e só lhe falta uma coisa: ser dois ou três filmes. A sua história está demasiado compactada nas suas duas horas e meia, e há personagens que gostávamos de ter visto mais, e passeios em Pandora que nos ficaram a falta pois o seu mundo é interessante e fascinante como os que encheram a nossa juventude. Nisto refiro-me a série “Star Wars” – “Avatar” tem o mesmo nível de fascínio no mundo que cria e nas personagens que apresenta.
No filme seguimos a história de Jake Sully, um militar paraplégico que é enviado em missão para Pandora, um planeta selvagem mas rico em minerais. Os humanos querem conquistar o planeta e roubar a sua riqueza, mas procuram uma solução diplomática com os Na’Vi, uma tribo indígena que lá habita.
Para isso, enviam ‘Avatares’, uma espécie de clones controlados à distância pelo humano clonado, enquanto este dorme. Isto é assim para os humanos enviarem representantes com aspecto e força semelhante aos Na’Vi, e também porque o ar do planeta Pandora é venenoso a um ser humano vulgar.
Mas o avatar de Jake perde-se em Pandora e acaba por fazer amizade com a princesa da tribo Na’Vi e apaixonar-se pela vida e costumas naturalistas da tribo.
“Avatar” é um filme fenomenal em todos os aspectos que um “blockbuster” deve ser. Boas personagens e uma história que tem um pouco de tudo: fantasia, aventura, humor e amor. Cenas de acção emocionantes. E uma forte mensagem morar – ainda mais forte depois do fracasso dos encontros ecologistas de Copenhaga.
Sam Worthington (“Terminator Salvation”) comprova aqui que é um grande actor e uma das mais fortes promessas de Hollywood. Zoe Saldana está perfeita como Neytiri, apesar da sua actuação ser “virtual”. E acima de tudo valeu a pena ver Sigourney Weaver matar saudades de visitar um planeta alien (“Aliens”) e conviver com uma tribo (faz muito lembrar “Gorillas in the Myst”).
E claro está, falta a parte mais mediatizada do filme: os efeitos e o 3d. Nisto “Avatar” é tão perfeito que quase passa despercebido. Ficamos tão convictos que os Na’Vi realmente existe, que Pandora e os monstros bizarros que lá habitam são reais, que saímos do filme a pensar que não há efeitos nenhuns. O 3D é finalmente bem aproveitado: para profundidade e para criar cenários lindíssimos (ao contrário de “Final Destination 3d” e “My Bloody Valentine 3d” que se limitavam a atirar coisas à câmara).
Resumindo, “Avatar” é sem duvida o regresso do Rei da Hollywood mais ampla e mais comercial. É um filme para todos os gostos. E tem o grande mérito de não ser baseado nem num livro nem noutro filme. É um gosto descobrir para primeira vez o mundo de Pandora e temos pena dele sair.
A Base: É um gosto descobrir para primeira vez o mundo de Pandora. Só é pena a duração – fica um pouco um sabor a pouco.
O melhor: O mundo de Avatar – dos efeitos visuais aos cenários, ao imaginário em si.
O pior: Algumas personagens secundárias ficam esquecidas de meio para o fim.
10/10
José Pedro Lopes

