“My Bloody Valentine 3D” de Patrick Lussier (“Dracula 2000”) é um remake de um “slasher” canadiano esquecido dos anos 80 o que, provavelmente, permitiu que fosse feito sem os olhos críticos de fãs como aconteceu com as novas versões de “Halloween”, “Friday the 13th” ou o futuro “A Nightmare on Elm Street”.
Uma mina desaba e seis homens ficam presos no seu interior. Quando finalmente as equipas de salvamento conseguem entrar, encontram todos os homens brutalmente assassinos excepto um, Harry Warden, o aparente homicida dos demais. Mas nada fica exclarecido pois Warden está em estado de coma.
Um ano depois, Warden acorda do estado de coma e regressa à mina, agora abandonada, e onde um grupo de jovens está a fazer uma festa de São Valentim. Warden continua o massacre e só é travado por um dos jovens, Axel (Kerr Smith de “Dawson’s Creek”) que o consegue matar.
Anos mais tarde, os homicídios recomeçam. Com o aproximar da noite de São Valentim toda a gente na localidade mineira teme o pior.
Talvez por o filme original ser para além de fraco, um filme do qual quase ninguém tem memória, MBV3D é um remake que toma muitas liberdades e corrige vários problemas que a história original tinha. É até justo dizer que este “slasher” de rotina apresenta algumas ideias novas. Só é pena que, tal como no original, o tema “Dia dos Namorados” seja pouco mais que um cenário e não parte da intriga (um pouco como se passa com “Friday the 13th” e a “Sexta-Feira 13”…).
Sendo um “slasher” com ambições claramente de diversão e espectáculo – foi o primeiro filme de terror em 3D (estreou antes de “Final Destination 3D”) – MBV3D é um filme bem ritmado, com bastantes sustos e acima de tudo muito mais “gore” que um filme de terror comercial costuma ser. Os fãs do género irão ficar mais que deliciados com tanto sangue.
Devo avisar que vi a versão homecinema americana, com os óculos 3D. Mas o 3D dos DVDs nada tem a ver o RealD dos cinemas, infelizmente. No entanto, pareceu-me que haviam bons momentos para 3D, talvez até mais eficazes que os do recente “Final Destination”.
Mas apesar de folha de serviço de “MBV3D” estar bem preenchida nos campos obrigatórios dos sustos e do “gore”, falha redondamente no elenco e na recta final. O problema do elenco é mais ou menos o mesmo do de remakes como “The Fog” ou de “Final Destination 3D”. A aposta vai toda para jovens talentos vindos directamente da TV e que se espalham ao comprido no filme. Kerr Smtih (“Dawson’s Creek”) está terrível e, considerando as exigências interpretativas do final do filme, enterra o clímax final no ridículo.
Uma pena, pois um bom “setup” e um miolo cheio de boas mortes dão lugar a uma segunda metade liderada por um triângulo amoroso sem carisma e com uma confrontação final, no mínimo, imbecil.
O Melhor: A sequência de terror passada num motel.
O Pior: O triângulo amoroso liderado por um inconsequente Kerr R Smith.
| A Base |
| “My Bloody Valentine 3D” é um divertido mas banal “slasher”, que aposta em sangue e tripas em quantidade, mas falha num péssimo elenco televisivo e num mau final dramático.. 6/10 |
José Pedro Lopes

