À primeira vista, “The Orphan” do catalão Jaume Collet-Serra (“House of Wax 2005”) parece mais um filme de terror com crianças inquietantes. Na realidade, exceptuando uma recta final surpreendente, estamos perante um filme bastante dado dentro de certos lugares comuns e clichés do género mas com uma grande diferença: a eficácia. “The Orphan” é dos chillers mais assustadores que Hollywood conseguiu gerar dentro da quase ininterrupta chuva de remakes que afogam o cinema de terror americano.
Há algo de errado com Esther (Isabelle Fuhrman).
Após a perda do seu terceiro filho, em plena sala de parto, Kate e John decidem adoptar uma criança. Numa visita a um orfanato, John fica instantaneamente atraído por uma miúda mais reservada e com um grande dom para a pintura, Esther. Dá-se a adopção e inicialmente tudo corre bem. Esther é uma criança reservada e educada, com um grande leque de roupas clássicas e o dom de agradar. Mas… há algo de errado com Esther.
Narrativamente, “The Orphan” desenvolve-se de uma maneira bastante previsível – coisas estranhas acontecem, eventualmente Esther vai-se revelando cada vez mais estranha mas só Kate parece perceber que ela não é quem parece. Mas “Orphan” distancia-se de recentes filmes de terror americanos, como “The Unborn” ou “Haunting in Connecticut”, pela sua eficácia.
Jaume Collett-Serra é muito hábil na hora de criar tensão e soltar sustos. Nota-se a tradição espanhola por detrás da sua realização, na linha de casas assombradas por crianças de filmes como “El Orfanato” e “Darkness”. “The Orphan” é um filme bastante emocionante, e a sua temática é bem mais forte do que seria de imaginar.
Devo no entanto mencionar que, narrativamente, “The Orphan” tem alguns pontos em comum com “The Ring Two”, sequela do remake americano que Hideo Nakata realizou em 2005. Quer numa das sequências mais marcantes do filme – o plano que Esther tem para John – quer na frase final do filme. Mais não explico.
Mas a grande chave do filme é a jovem actriz Isabelle Fuhrman, que está arrasadora no filme, como Esther, uma personagem com muitas faces e transformações. Nota especial para a surpreendente performance de Fuhrman na recta final, onde o filme muda bizarramente de tom ao descobrimos o terrível segredo de Esther.
Resumidamente, “The Orphan” é uma boa aposta no que toca ao terror e aos sustos. É tenso, é assustador e até é original na forma como resolve o que parecia uma intriga bastante clássica.
O melhor: A realização eficaz na hora de gerar sustos, e uma criança-vilã ao mais alto nível: Esther.
O pior: A parte central do filme é demasiado rotineira.
| A Base |
| “The Orphan” é uma boa aposta no que toca ao terror e aos sustos. É tenso, é assustador e até é original na forma como resolve o que parecia uma intriga bastante clássica…. 8/10 |
José Pedro Lopes

