
Neste “The Burning Plain”, finalmente em estreia após ter estado presente na edição de 2008 do Festival de Toronto, o tempo tem um papel ainda maior. E mais não se deve contar, para evitar estragar a surpresa.
Chamem-lhe marca de autor ou gímnica em sério risco de cair em saturação, a verdade é que o cineasta mexicano parece cada vez mais preso a um truque de magia, um truque que ainda resulta em cheio neste espectador (que nunca consegue perceber onde é que o mágico foi arranjar a pomba para começar), é certo, mas um truque a demonstrar também alguns sinais de repetição. Espera-se que Arriaga consiga sair deste mecanismo no futuro e criar uma narrativa mais “convencional”, provando assim aos seus detractores que a gímnica que aplica não é o seu único talento.
Para já, temos um sólido filme, com belas imagens, capaz de prender o espectador a cada instante, e com magníficos desempenhos, de onde se destaca uma Kim Basinger no papel de dona de casa desesperada, tão confusa e desconectada como a narrativa inicialmente apresentada. O único problema de facto é sabermos que Arriaga já fez melhor.
O Melhor: O elenco, com destaque para Kim Basinger. Embora ligue os pontos lá para o final, recusar explicações e resoluções fáceis para as personagens.
O Pior: A gímnica, por muito que ainda funcione, começa realmente a revelar-se um truque velho de um mágico profissional.
| A Base |
| Um sólido filme, com belas imagens, capaz de prender o espectador a cada instante, e com magníficos desempenhos, mas que nos põe também a pensar se Guillermo Arriaga conseguirá alguma vez sair desta gímnica narrativa de contar a sua história desordenadamente…. 7/10 |
André Gonçalves

