“The Burning Plain” por André Gonçalves

(Fotos: Divulgação)

Guillermo Arriaga deve adorar “puzzles”. O argumentista de filmes como “21 Grams” e “Babel” está de volta, desta vez juntando o cargo de argumentista a realizador. E o resultado é facilmente adivinhável: mais uma narrativa disjunta, que mistura espaços e períodos cronológicos e personagens que não parecem ter nada em comum para no final nos mostrar que estão todas interligadas.

Neste “The Burning Plain”, finalmente em estreia após ter estado presente na edição de 2008 do Festival de Toronto, o tempo tem um papel ainda maior. E mais não se deve contar, para evitar estragar a surpresa.

Chamem-lhe marca de autor ou gímnica em sério risco de cair em saturação, a verdade é que o cineasta mexicano parece cada vez mais preso a um truque de magia, um truque que ainda resulta em cheio neste espectador (que nunca consegue perceber onde é que o mágico foi arranjar a pomba para começar), é certo, mas um truque a demonstrar também alguns sinais de repetição. Espera-se que Arriaga consiga sair deste mecanismo no futuro e criar uma narrativa mais “convencional”, provando assim aos seus detractores que a gímnica que aplica não é o seu único talento.

Para já, temos um sólido filme, com belas imagens, capaz de prender o espectador a cada instante, e com magníficos desempenhos, de onde se destaca uma Kim Basinger no papel de dona de casa desesperada, tão confusa e desconectada como a narrativa inicialmente apresentada. O único problema de facto é sabermos que Arriaga já fez melhor.

O Melhor: O elenco, com destaque para Kim Basinger. Embora ligue os pontos lá para o final, recusar explicações e resoluções fáceis para as personagens.

O Pior: A gímnica, por muito que ainda funcione, começa realmente a revelar-se um truque velho de um mágico profissional.

A Base
Um sólido filme, com belas imagens, capaz de prender o espectador a cada instante, e com magníficos desempenhos, mas que nos põe também a pensar se Guillermo Arriaga conseguirá alguma vez sair desta gímnica narrativa de contar a sua história desordenadamente…. 7/10

 

André Gonçalves

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