“Welcome” é, antes de mais, uma história de amor: Bilal, emigrante iraquiano curdo, procura chegar a Inglaterra onde está a sua namorada. Depois de atravessar a Europa a pé, Bilal encontra-se agora em Calais no meio de milhares de outros emigrantes ilegais que tentam também atravessar o Canal da Mancha. Após uma primeira tentativa falhada, Bilal decide aprender a nadar para poder assim ultrapassar este último obstáculo que o afasta do seu objectivo. É na piscina que conhece Simon, professor de natação solitário, que acaba por se afeiçoar a Bilal e a ajudá-lo.
Este é um filme realista, baseado na experiência do realizador e de voluntários que trabalham com emigrantes, com as personagens principais bem definidas e com um sentido estético muito bem definido, que mostra uma realidade, que acabamos por esquecer no dia-a-dia, o da emigração na sua face mais humana. É obviamente, ao contrário do proferido pelo próprio realizador na sessão de perguntas que se seguiu à sessão a que assisti, um filme obviamente político, e é aí que começam os seus problemas.
A polícia e qualquer forma de autoridade é apresentada de uma forma sinistra, como a imagem apresentada aos adolescentes para vender a irreverência como um produto, com figuras unidimensionais ou mesmo só silhuetas ameaçadoras. Focando-se só na realidade local de Calais (e até que ponto poderemos confiar nesta representação quando há uma agenda política tão óbvia?), o realizador acaba por não explorar as causas globais da emigração o que, juntamente com a representação da autoridade já referida, parece indicar que se trata apenas uma questão local e que o problema é causado apenas pela forma como a autoridade lida com ele. É uma forma redutora e perigosa de ver este problema e pode equiparar-se a tentar curar pneumonias com aspirinas.
O Melhor: a história, verdadeiramente emocionante, as representações e a imagem.
O Pior: a visão parcial e muito limitada do problema da emigração.
| A Base |
| Uma história de amor estragada pelos objectivos políticos dos seus criadores… 4/10 |
João Miranda

