Mortes em sala de cinema. Nos anos 80, centenas de Gremlins morrem numa sessão de “Branca de Neve”, onde um incêndio arrasa com a sala. Nos anos 90, Jada Pinckett é esfaqueada até à morte numa sessão do filme “Stab” – perante um público que aplaude (em “Scream 2”). Ainda este mês, centenas de alemães morrem numa sala de cinema em Paris vítimas de um enorme incêndio (“Inglorious Basterds”).
Quem conhecer esta série de filmes sabe do que ela é feita. No legado de mortes em salas de cinema, “Final Destination” ficou com o título de mais quantidade e mais sangue. Claro está.
No filme seguimos a história de um grupo de jovens que sobrevive a um aparatoso acidente num estágio de corridas de carros, graças à premonição de um deles. Mandam as regras da vida que a Morte (que não tem presença física) vá provocar as mortes de todos eles através de acidentes bizarros.A partir daqui, David E. Ellis (realizador do melhor filme da série, o segundo, e do divertidíssimo “Snakes on a Planes), tem os pressupostos para uma carnificina sem fim.
O 3d é o formato derradeiro para esta série de filmes – nunca as suas mortes foram tão rebuscadas, exageradas e cómicas como aqui. Quem quiser ver as três dimensões a funcionar é, de facto, o “show reel” perfeito. Voam facas contra o ecrã, saltam olhos para cima do espectador e há inclusive um empalamento acidental (!) que nos salpica a cara de sangue. O 3d é mesmo o formato de sonho da série e isto prova-se por um genérico brilhante: revemos em “raio-X 3d” todas as mortes dos três filmes anteriores.
O problema de “Final Destination” é, no entanto, o mesmo dos demais. Se o equilíbrio entre as coincidências assustadoras e as situações absurdas existem, por vezes, falha também redondamente. Por cada medo urbano concretizado (uma quase-morte numa lavagem de carros ou a morte das piscina) há também situações que são só absurdas (a ventoinha no salão de beleza ou a quantidade de contentores de água que são deixados à beira de electricidade descontrolada). Mas esse é o mal menor, apesar de tudo.
O problema maior são as personagens. Num “slasher” normal, os adolescentes são frequentemente desinteressantes e sem carisma. Porém, o vilão é icónico e nós gostamos de o ver. Michael Myers, Jason Vorhees e Freddy Krueger são personagens que mantêm os níveis de interesse nos seus filmes. Mas a “Morte” que obviamente não aparece nem fala, não marca presença. E claro está, assim estamos totalmente entregues a actores maus a fazerem de adolescentes desinteressantes. O protagonista é o pior deles todos – Bobby Campo é péssimo nas cenas dramáticas e dramático nas cenas cómicas. Ele que se prepare para um “Razzie Award”.
No entanto, fica o consolo de sabermos que todas estas personagens desinteressantes morrem. E de maneiras bem violentas… e agora em 3d!!!!
O Melhor: O 3d a funcionar em pleno e a vocação para divertir do filme.
O Pior: Os actores são muito maus; as personagens que lhes foram dadas para interpretar também, e o realizador David E. Ellis só pensou em como os ia matar.
| A Base |
| “Final Destination 3d”: a saga encontra finalmente o seu derradeiro formato – o 3d – mas a imaginação vai só para as mortes!. 7/10 |
José Pedro Lopes
Crítica
O maior problema deste franchise é que nunca realmente teve sequelas (talvez o segundo seja o que mais se aproxima disso), mas remakes em que basicamente se mudam os estilos das mortes e pouco mais. Neste “Final Destination 3D” isso é óbvio, e mais parece estarmos perante uma cópia exacta do primeiro filme com a mudança dos locais, actores e formas de morrer.
Como as mortes são rebuscadas mas banais, os actores paupérrimos e a evolução da história e diálogos sofrível, temos assim um dos piores filmes do ano e até “Quarentena”, que era um plágio chapado de “[REC]” consegue melhor do que este produto de Hollywood de quinta categoria.
E não é o 3D que salva o filme. Uma obra quando é má é má mesmo. Seja a preto e branco, seja a cores, seja como for. “Final Destination 3D” é mau, muito mau. E só tenho pena de nunca poder recuperar a hora e meia que perdi a ver este filme
O Melhor: O abuso de elementos a voar puxa pelo 3D e dá maior impacto
O Pior: Os actores, o plágio da história e mortes recicladas (a do atropelamento é uma vergonha para a saga)
| A Base |
| “Final Destination 3D” é mau, muito mau. E só tenho pena de nunca poder recuperar a hora e meia que perdi a ver este filme..1/10 |

