
“A Esperança Está Onde Menos Se Espera” parece um conto infantil em que uma personagem privilegiada perde o que tem e é obrigada a lidar com todas as dificuldades associadas a essa perda. Infelizmente, ao assumir essa posição, acaba também por cair em alguns dos estereótipos mais banais, sem nunca explorar a fundo as representações utilizadas ou sem avançar com alguma ideia inovadora. Isto, alimentado com um diálogo que por vezes assume proporções tão monumentais que os actores mais novos se vêm com dificuldade em dizê-lo.
Apesar da qualidade, algo ainda parece indicar que o filme foi feito para televisão ou para ser visto em DVD, a maneira como a imagem e o som são explorados presta-se muito mais a um ecrã pequeno e lembram os telefilmes ou mini-séries que passam nos canais privados. As representações são, de uma forma geral, positivas, destacando-se Virgílio Castelo, no papel de pai do Lourenço, mas cuja seriedade e dramatismo por vezes parecem destoar do resto do filme.
Na sessão em que vi este filme, rodeado de pessoas mais novas do que eu, as piadas sucediam-se a algumas das situações e frases, apesar de, no final, o entusiasmo com que aplaudiram parecer genuíno. Após voltarem as luzes, a equipa subiu ao palco do São Jorge para agradecer e Tino Navarro disse que esperava que alguns dos elementos do filme servissem como exemplo para quem o visse. Essa mensagem é de tal modo evidente durante todo o filme que o torna maçador (como com a utilização da banda sonora) e infelizmente permitiu que grandes buracos na história e oportunidades de explorar temas sociopolíticos de uma forma inteligente escapassem.
O Melhor: Virgílio Castelo e a qualidade que a produção nacional começa a ter.
O Pior: A falta de subtileza e de criatividade no desenvolvimento da história e dos seus elementos.
| A Base |
” É um filme que antepõe a sua mensagem ao seu conteúdo e acaba por perder nos dois pontos. ” . 4/10

