
“ABC da Sedução” é mais uma comédia romântica das que costuma aparecer nas salas de cinema, com o formato típico: duas pessoas que aparentemente não têm nada a ver uma com a outra encontram-se e, após uma série de peripécias mais ou menos cómicas, acabam juntas no final do filme (peço desculpa estar a estragar o fim do filme na primeira fase da crítica, mas acho que ninguém estava à espera de um final diferente deste tipo de filmes).
Há tantas coisas erradas nas representações de género e nas relações de poder neste filme, que nem me proponho avançar por esse tema. A questão é que, mesmo que se queira consumir este filme como puro entretenimento, o filme falha: as duas personagens principais são francamente desagradáveis e nada empáticas e no final do filme estamos menos interessados em que fiquem juntos do que no filme acabar para podermos não passar mais tempo com elas.
Há, a meio do filme, uma cena que pretende referenciar uma das cenas mais famosas da que é possivelmente a melhor comédia romântica alguma vez feita, “When Harry Met Sally – Um Amor Inevitável”, onde Meg Ryan simula um orgasmo no meio de um café, mas até nessa referência se vê a qualidade duvidosa do filme e acaba por provocar mais constrangimento e perguntas do que propriamente risos.
Confesso-me um fã de comédias românticas e costumo vê-las todas no cinema, para além de rever, ocasionalmente, alguma mais antiga na televisão em tardes de fim-de-semana. Já sei que são estereotípicas, heteronormativas, previsíveis e outras palavras que de vez em quando se ouvem para denegrir o estilo, mas costumam ser um tempo bem passado e costumo sair com um sorriso da sala (e uma lágrima no canto do olho, se for mesmo bom). “ABC da Sedução” não funciona a nenhum desses níveis e é uma perda de tempo.
O Melhor: As cenas com Cheryl Hines e John Michael Higgins e a relação entre eles.
O Pior: As personagens principais serem tão pouco empáticas.
| A Base |
| No final do filme estamos menos interessados em que fiquem juntos do que no filme acabar. 3/10 |

