«The Hurt Locker» (O Estado de Guerra) por José Pedro Lopes

(Fotos: Divulgação)

Esta pode ser uma frase feita para começar uma crítica, mas nunca encaixou tão bem num filme. The Hurt Locker é um filme de guerra explosivo — quer na temática, quer na abordagem. Um triunfo e, sem dúvida, um dos títulos que marcaram 2009.

Passado na Guerra do Iraque, o filme segue a EOD, unidade de desarmamento de explosivos do exército americano. A equipa conta com três homens — interpretados por Jeremy Renner, Anthony Mackie e Brian Geraghty — que enfrentam todo o tipo de cenários de bombas em Bagdade para as desativar.

Filmado num estilo semi-documental, semi-estético de filme de guerra, ao longo dos seus tensos 131 minutos acompanhamos a equipa a lidar com minas, carros armadilhados e até um homem-bomba.

Tensão é mesmo a palavra dominante de The Hurt Locker. Durante a sua primeira hora e meia, Bigelow apresenta sucessivos cenários de stress e perigo antes de deixar o filme (e as personagens) mergulharem nos seus infernos pessoais na reta final do relato. É uma experiência de nervos em franja que recria, de forma visceral, o desespero e a ansiedade de quem vive em ambiente de guerra.

Tendo vencido prémios no Festival de Veneza e nos Independent Spirit Awards, o filme oferece uma brilhante interpretação de Jeremy Renner (The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford, 28 Weeks Later), um ator que vale a pena seguir com atenção.

Claramente o melhor filme sobre as guerras dos anos 2000, The Hurt Locker oferece uma visão diferente e profundamente envolvente da temática da guerra. Sem heróis nem vilões, o filme constrói uma perspetiva intensa sobre o stress dos soldados que tentam manter a paz em solo iraquiano — tudo sob o olhar de uma população que segue as suas vidas nas ruas de Bagdade, assistindo ocasionalmente, das varandas, aos americanos a confrontarem-se com homens-bomba.

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