“Public Enemies” por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

 

 

“Public Enemies” é o novo filme de Michael Mann – que já realizou grandes sucessos como “Heat”, “The Insider”, “Collateral” e “Miami Vice” – e que trata sobre a relação de John Dillinger – a determinado momento considerado o criminoso mais perigoso nos Estados Unidos – com Billie Frechette, o seu grande amor. Com Johnny Depp, Marion Cotillard e Christian Bale nos principais papéis e com Dante Spinotti como Director de Fotografia (“Heat”, “L.A. Confidential” e “The insider”, entre outros), este filme tem todos os ingredientes para ser um grande filme, mas no entanto não o é.

Já muito se falou e escreveu nos media sobre a forma como a escolha do formato digital, para filmar um filme de época, se revela incongruente e não produz um bom resultado, mas parece-me que o problema é outro: no final, parece que estamos a ver uma daquelas reencenações que se vê nos programas de crimes, neste caso com bons actores, é certo, mas de qualidade duvidosa. Isso, associado com o estilo dos close-ups retirado das limitações do tamanho da TV e que Michael Mann trouxe para o cinema, o filme parece uma produção amadora feita para televisão, para passar num qualquer canal estatal a uma hora em que poucas pessoas o vissem. Talvez assim se safasse, mas no grande ecrã este efeito nega a “suspension of disbelief”, o acordo não-explícito que nos permite participar no que se passa no filme, acabando por reforçar a artificialidade da produção cinematográfica.

Este não é um mau filme, mas não é tudo o que poderia ser pelas escolhas técnicas efectuadas. Até pode ser que estejamos a entrar numa nova era do cinema e que eu esteja a desempenhar o papel de Velho do Restelo protestando contra o que mais tarde será a norma mas, tendo em conta a reacção da maioria da crítica, dá-me ideia que não.

O Melhor: As representações, apesar do Christian Bale se estar a revelar mais rígido do que parecia prometer.
O Pior: A imagem.

 

 

A Base
Este não é um mau filme, mas não é tudo o que poderia ser pelas escolhas técnicas efectuadas. 6/10

 

 João  Miranda 

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