Jim Jarmusch é um realizador experimental, que não se preocupa tanto com o comercializar dos seus filmes como com os assuntos explorados neles. Um dos temas recorrentes nas suas obras é o da viagem iniciática, como se pode ver em “Dead Man” ou “Broken Flowers”. Em “Os Limites do Controlo”, Jarmusch volta a este tema, não na perspectiva existencial ou emocional, mas na do conhecimento como visto pelo “Velho Mundo” Ocidental, com rituais, estações, senhas, contra-senhas, hábitos e simbologias. Para isto, Jarmusch dirigiu-se a Espanha onde, em velhas ruas sobrecarregadas de graffiti, posters, fontes e igrejas, tudo parece querer significar algo. E assim seguimos a iniciação da personagem principal, protagonizada por Isaach De Bankolé (“Casino Royale”, “Coffee and Cigarettes”, “24”).
Este não é um filme fácil para quem está habituado a uma estrutura narrativa convencional, ainda que seja linear: construído de repetições, aforismos, personagens e acontecimentos estranhos, o filme lembra uma procissão onde se têm de efectuar rituais a certos pontos e onde os gestos e palavras se tornam mais importantes do que os significados atribuídos – até ao final, em que tudo se torna claro e após o qual podemos ascender a um patamar de conhecimento diferente.
Não aconselhado a quem procure apenas entretenimento, este é um filme para pensar e apreciar como uma ida a um templo, mais do que uma ida ao cinema.
O Melhor: A imagem e a estrutura do filme
O Pior: É um filme difícil que não irá agradar a muita gente.
| A Base |
| Não aconselhado a quem procure apenas entretenimento, este é um filme para pensar e apreciar como uma ida a um templo, mais do que uma ida ao cinema. 8/10 |
João Miranda
João Miranda

