Mais uma vez a Pixar consegue, com uma estética e uma história fantasiosas, fazer um filme sobre a natureza humana mais profundo que muitos dos filmes “realistas”. “Up – Altamente” é a história de Carl, vendedor de balões do Jardim Zoológico, e do sonho que partilhava com a sua mulher, Ellie, de partir para se aventurarem nas florestas da América do Sul. Após um começo que conseguirá penetrar na mais dura das carapaças, damos com Carl sozinho, lutando com o desenvolvimento urbano que rodeia a casa que construíram, a tentar levar avante o sonho de infância dos dois, usando uma série de balões para erguer a casa, como o seu herói que navegava dirigíveis. Sem dar conta, leva com ele Russel, um escuteiro determinado a ganhar mais uma medalha de mérito que lhe falta, de apoio a idosos.
É na relação destas duas personagens, e de outras que encontram no caminho, que o filme consegue os seus melhores momentos, mantendo-os sempre simples e acessíveis para adultos e crianças. É esse o ponto forte da Pixar, em comparação com as referências irónicas à cultura popular e às piadas só para adultos que estão tão presentes em outros filmes animados, a Pixar tem-se focado nas personagens, nas relações e nas mensagens que pretende passar. É esta inocência que se torna, sem imbecilizar, compreensível às crianças e que nos desarma, adultos, dos mecanismos que usamos para nos defender dos problemas no dia-a-dia.
É um filme a ver, sozinho, com amigos ou a família toda, de preferência num ecrã grande e para sair a sorrir.
É um filme a ver, sozinho, com amigos ou a família toda, de preferência num ecrã grande e para sair a sorrir.
O Melhor: Dug, o cão e não digo mais nada para não estragar a surpresa.
O Pior: Há algumas personagens pouco desenvolvidas e algumas falhas na narrativa.
| A Base |
| É um filme a ver, sozinho, com amigos ou a família toda, de preferência num ecrã grande e para sair a sorrir. 9/10 |
João Miranda

