“What’s strange about this film is unless they know the twist, I don’t think they enjoy the movie.”
O principal problema que um espectador possa ter com “The Life Before Her Eyes” prende-se com o facto de incorporar uma reviravolta final já demasiado vista, mesmo quando o romance de Laura Kasischke tinha sido publicado (em 2002).
Dito isto, estamos facilmente perante um dos dramas mais subestimados dos últimos dez anos, mesmo que a decisão da distribuidora nacional em lançar um filme destes, mais de um ano após a sua estreia e em plena “silly season”, transmita uma falta de confiança incrível no produto – vinda provavelmente do facto de ter sido um “flop” tremendo do outro lado do mundo. Ao menos foi lançado comercialmente nas salas, vá lá.
Mas vamos à história. “The Life Before Her Eyes” segue a história de duas estudantes, Diane e Maureen, e um trágico dia, quando um estudante decide matar os colegas e professores da sua escola, acabando por encurralar as duas amigas numa casa de banho, num massacre claramente inspirado por Columbine, tal como o filme “Elephant”. Porém, ao contrário do filme de Gus Van Sant, que se focava mais na tragédia, aqui o foco está todo nestas duas raparigas, no futuro de uma delas, e em tomadas de decisão capazes de alterar vidas.
Cruzando sempre passado e futuro, realidade com uma atmosfera mais etérea (e direi mesmo, “espiritual”), são raros os momentos em que o espectador não está preso ao ecrã, à espera de saber para onde a narrativa solta o leva.
Dizer mais que isto soará criminoso, mesmo tendo em conta o desejo do realizador expressado na citação acima. Se quiser saber o final do filme, haverá imensos sítios onde procurar.
Entretanto, vale a pena salientar que Perelman, tal como tinha acontecido com “The House of Sand and Fog”, volta a encher o ecrã com algumas belas imagens, e acima de tudo com performances sublimes – Uma Thurman e Evan Rachel Wood não podiam estar melhores enquanto duas metades da mesma pessoa, especialmente a última, uma das actrizes cada vez mais interessantes da sua geração. Também merecedora de destaque é Eva Amurri, filha de Susan Sarandon, no papel da bem comportada Maureen.
Um filme subestimadíssimo e sempre intrigante para ver de mente aberta, e pensar sobre ele muito tempo após o ver.
O melhor: As interpretações femininas; a atmosfera bem conseguida por parte de Perelman e companhia.
O pior: A reviravolta final, embora funcione e traga ao filme uma outra dimensão moral, será irremediavelmente vista como pouco original. (problema que já vem do livro?)
| A Base |
| “Um filme subestimadíssimo e sempre intrigante para ver de mente aberta, e pensar sobre ele muito tempo após o ver.” 8/10 |

