A crítica recebeu o filme com alguma frieza, acusando-o de estar cheio de clichés e de excesso melodramático e concordaria com tal crítica, se tomasse a história como literal, mas o filme é mais do que isso: após o atentado, o filme transforma-se numa alegoria em que a vida e o corpo de Michelle Williams se transformam na própria Londres. Em choque pelo atentado, a paranóia do discurso anti-terrorista em cada esquina, em posters e em cada elemento que lhe lembra a convivência com o estranho no dia-a-dia, Michelle / Londres vê-se apanhada na luta entre a acção e verborreia oficial contra a dos jornalistas, nas interacções de duas personagens que fazem dela objecto das suas fantasias, confundindo-se interesses pessoais com o bem maior.
Este é um filme no feminino, que recusa os discursos masculinos vigentes e reclama um novo, construído não de forma literal e melodramática, não de destruição ou paranóia, não de sensacionalismo ou mediatismo, mas um discurso afirmativo de vida, de persistência, de abertura e procura do melhor no outro. Acaba por ser uma homenagem às mulheres e a Londres, e à sua força e perseverança nos momentos mais difíceis.
É um filme no feminino também no cuidado da imagem e do texto, e na representação de Michelle Williams que mostra – como em “Wendy e Lucy” que vi no Indie Lisboa deste ano – que consegue suportar sozinha um filme e que merece ser reconhecida como uma das actrizes em ascensão na indústria.
O Melhor – Michelle Williams
O Pior – Se levado de modo literal, torna-se um filme pesado e inconsistente.
| A Base |
| Uma homenagem às mulheres e a Londres, e à sua força e perseverança nos momentos mais difíceis….. 8/10 |

