“Harry Potter and the Half-Blood Prince” por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

 

Há uma frase muito batida que diz que a noite é sempre mais escura antes do nascer do Sol. Este novo filme Harry Potter é, como sexto na série e correspondendo ao penúltimo livro, possivelmente o mais escuro de todos. Com o regresso confirmado de Voldemort no final do filme anterior, os seus seguidores – os “Devoradores da Morte” – dedicam-se a espalhar de novo o terror tanto no mundo da magia como no mundo dos Muggles (não-mágicos), como se pode ver logo nos primeiros minutos e nos trailers disponibilizados pela Warner. Felizmente, com o crescimento das personagens principais, surgem também neste episódio em força os sinais da adolescência que começaram a aparecer antes. Este é o livro dos grandes amores, das confusões e desencontros, aumentados pelas hormonas e, neste universo, pela magia, o que produz um perfeito contraponto à escuridão envolvente.
Nas primeiras cenas do filme percebe-se o passo assumido no resto do filme, sim, ainda se mantém a magia e o encanto de um filme (já não) para miúdos, mas há muita matéria a rever antes de chegarem as provas finais e o ritmo é curto, a história reduzida ao essencial. Ainda assim, a adaptação de mais de 600 páginas para pouco mais de duas horas de filme está exemplar, com a linha principal da história quase inalterada e o foco a manter-se na construção das três personagens principais e da sua relação. As maiores alterações foram no final, tendo David Heyman, produtor do filme, comentado que terá sido a pensar no próximo filme que terão sido efectuadas.

Com a passagem dos anos, o risco que foi tomado na escolha dos actores para o primeiro filme, tem-se revelado uma boa surpresa, com Daniel Radcliff, Rupert Grint e Emma Watson a mostrarem-se sólidos o suficiente, mas é nos papéis secundários que encontramos, em actores mais conceituados, grandes representações como a de Helena Bohnam Carter como Bellatrix Lestrange. A cinematografia, a cargo de Bruno Delbonnel – responsável por filmes como “Across the Universe” e “Amélie” –, é coesa e coerente com o enredo, revelando-se numa imagem de forte contraste, com um lado sempre mais escuro a todos os planos ou uma intensidade de cor abundante nos momentos mais felizes.

Confesso-me um fã da série, tendo lidos os livros e visto os filmes mais do que uma vez, e posso dizer que o filme não decepciona fãs dos livros ou dos filmes. Há que ter em conta que é o sexto filme de uma série e, como tal, não é aconselhável a quem não viu os filmes anteriores, muitas das personagens e situações não são apresentadas, devendo já ser conhecidas. Há cenas, como a da destruição da ponte cheia de muggles, que não têm seguimento e grande parte das aulas e do torneio de Quidditch não estão presentes. Ainda assim, este é, sem qualquer dúvida, um dos grandes blockbusters de Verão, envergonhando, a nível de história e qualidade, filmes como “Transformers 2” ou “Ice Age 3”.

O Melhor: A adaptação, a imagem, Helena Bonham Carter
O Pior: Toda a cena da caverna tem um ar demasiado CGI e os inferi lembram todos o Gollum do Senhor dos Anéis

A Base
“Este é um dos grandes blockbusters de Verão, envergonhando filmes como “Transformers 2” ou “Ice Age 3″…. 8/10
 
João Miranda

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