“Incendiary” por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)
 

 
Numa bizarra coincidência, o livro de Chris Cleaves – que deu origem a este filme – foi lançado a 7 de Julho de 2005, o mesmo dia em que ocorreram os atentados em Londres.

Provavelmente por isso, e pelos atentados estarem frescos na memória londrina, “Incendiary” levou tanto tempo a chegar ao cinema, pois desde 2004 que estava planeado e delineado.

Nele seguimos uma jovem mãe que vê toda a sua vida mudar quando um atentado num estádio (durante um Arsenal-Chelsea) lhe rouba o marido e o filho.

Não esperem porém que os eventos comecem logo aqui, aliás, longe disso.

Primeiro somos confrontados com uma espécie de “Unfaithful”, onde uma Michelle Williams em grande forma começa a ter uma relação adúltera com um jornalista (Ewan Mcgregor) sem existir uma “real” razão para isso (mas é preciso razão?, já em “Unfaithful” se questionava). Porém, lá se dá o tal atentado e o filme muda radicalmente de registo, passando para um campo completamente de drama instrospectivo onde o sentimento de culpa e mesmo “castigo” parece não abandonar a personagem central.

E é nesta ambição de querer tudo que “Incendiary” se perde e que prova que funciona muito melhor como livro do que como filme. É que a soma de todas as partes, ou géneros, não ajuda o espectador, que vai mudando de “ambientes” e de “filmes” sem uma grande sensação de ficar realmente preenchido em nenhum deles.

Derradeiramente a fita entra numa espiral psicológica tenebrosa, acabando, mesmo assim, por ser o seu melhor momento , especialmente a amizade que se establece entre a jovem e o filho de um dos terroristas suicidas – que curiosamente não existe no livro.

Por tudo isto, e por nos fazer pensar nele, “Incendiary” é um filme que merece uma olhadela. Especialmente por estrear numa época onde normalmente são os blockbusters desmiolados que tomam conta das salas….


O Melhor –
Michelle Williams e a “culpa”
O Pior – O desvendar da intriga

A Base
“”Incendiary” é um filme que merece uma olhadela. Especialmente por estrear numa época onde normalmente são os blockbusters desmiolados que tomam conta das salas”…. 7/10
 
Jorge Pereira
 
 

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