
Passado numa vila do interior sulista americano, o filme assume o passo lento, quase indolente, do extremo calor que se faz sentir. Os três irmãos percorrem as ruas da vila vazia e tentam, para além da rotina do trabalho, perceber como viver a sua vida. A sociedade patriarcal e violenta na qual participam faz com que as alternativas que têm para lidar com a situação originada pela morte do pai sejam limitadas e insatisfatórias.
O tema já foi explorado várias vezes, incluindo na literatura clássica, talvez por isso, tudo no filme, desde a indefinição das personagens pela ausência de um nome próprio, até às cores e banda sonora utilizadas, parecem dar a ideia de que estamos a assistir a uma tragédia clássica, em que os intervenientes pouco controlo têm sobre as suas acções, limitando-se, como actores, a seguirem um caminho pré-definido sem o porem em causa. Pelo menos quase até ao fim.
“Shotgun Stories” é um filme sobre a dor impossível de expressar numa masculinidade exagerada e sobre o que, por vezes, se tem de passar até se pôr em causa esse papel social, mas fá-lo de uma forma natural e fluida.
O Melhor: A naturalidade da narrativa.
O Pior: A iluminação; por vezes, em falta, outras, artificial; se era simbólico, escapou-me o simbolismo.
João Miranda

