“Terminator Salvation” por João Miranda

(Fotos: Divulgação)
 
Depois do sucesso dos dois primeiros filmes, a série do “Exterminador Implacável” já viu um desastre (inevitável neste jogo das sequelas, alguns defendem) no terceiro filme realizado. Ainda assim, avançou-se com a ideia de um novo filme para uma série que se pensava acabada. Para mim, só a presença de Christian Bale conferia alguma credibilidade a este projecto.
 
A série foi iniciada em 84 e baseia-se num conceito simples: algures num futuro distópico onde os humanos lutam contra as máquinas são enviados sucessivamente parelhas de um herói e um vilão para tentar eliminar o futuro líder da resistência ou a sua progenitora. O primeiro era um filme série B sem grandes pretensões, mas que teve um sucesso de bilheteira inesperado e originou uma megaprodução alguns anos mais tarde onde eram explorados conceitos profundos como o que nos define como humanos e se somos nós que definimos o nosso destino, tudo com alguma ficção científica, muita animação 3D (CGI) e muitos tiros à mistura.
 
Depois de passados tantos anos e já com um status de filme de culto, é difícil fazer um filme dentro desta saga sem se fazer referências aos que o precedem. Esse é um dos problemas com esta nova versão: frases, sequências inteiras de luta e músicas, foram transpostas dos dois primeiros filmes para este, sem contar com as referências a outros filmes de ficção científica como Blade Runner. A questão é que estas referências são todas feitas de modo gratuito e sem contribuírem muito para a construção do filme. Entre a sobrecarga de referências, o esforço para desenvolver “brinquedos” que possam mais tarde ser vendidos como merchandising e a irritante mania de Hollywood de construir um “arco” para cada personagem por muito forçado e artificial que isso possa ser, este filme perde-se. Estes elementos não são necessariamente maus em si, aliás, seriam perfeitos se todo o tom do filme fosse feito num tom jocoso, até talvez um bocado “campy”, mas é a extrema seriedade com que se leva que estraga o filme.
 
Durante as filmagens do filme, Christian Bale teve uma tirada de 4 minutos em que qualificou um elemento da equipa com todo o tipo de insultos e ameaças que se tornou muito conhecida na internet. Mais tarde veio pedir desculpa e defendeu que a cena que estava a desempenhar era muito séria. Esse é exactamente o problema do filme. Vamos admitir: isto não é Shakespeare e não vai sequer aparecer numa lista dos 100 melhores filmes alguma vez realizados. Parece-me que a ligeireza com que se aprofundaram temas tão profundos no segundo filme (para mim, ainda o melhor) se perdeu na máquina de fazer dinheiro que é Hollywood. Este filme é para ser visto com amigos, para se mandar piadas para a tela (e há umas bem fáceis: “últimas palavras?” pergunta-se na primeira cena, em que vai ser executado um assassino que acabou de doar o corpo à Cyberdine e a quem foi prometido um regresso à vida, “I’ll be back” respondi logo para gáudio de quem viu o filme comigo), para se bater palmas nos actos irrealistas, para se rir das linhas tão pirosas (que ainda não acredito que houve alguém que recebeu dinheiro para as escrever) e para sair com um sorriso no final. Falhou.
 
4/10
 
O Melhor: Os momentos de acção.
 
O Pior: A seriedade toda do filme.
 
A Base: Este filme é para ser visto com amigos, para se mandar piadas para a tela, para se bater palmas nos actos irrealistas, para se rir das linhas tão pirosas e para sair com um sorriso no final.

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