“Terminator Salvation” por André Gonçalves

(Fotos: Divulgação)

Há 25 anos atrás, o realizador e argumentista James Cameron (juntamente com Gale Anne Hurd) viria a iniciar uma das sagas mais bem sucedidas não só da ficção científica como da história do cinema contemporâneo. Uma visão apocalíptica de um futuro dominado por máquinas servia de mote, e os dois filmes criados sob a sua alçada depressa se tornaram novos clássicos.
Cameron viria, posteriormente, a comandar barcos ainda maiores, enquanto que a ideia de uma nova sequela nunca terá deixado a cabeça dos produtores, mesmo com um final tão virtualmente perfeito como o do 2º filme… e eis que em 2003, finalmente é lançado “T3”, entretenimento série-B surpreendentemente eficaz e já em registo evidente de auto-paródia, que de novo acrescentava a noção que o Dia do Julgamento não tinha sido evitado – apenas adiado.

Este “Terminator: Salvation” é quase um anti-“T3” em muitos aspectos. Para começar, este quarto capítulo, já sem Arnold Schwarzenegger no papel principal, e já sem muito do humor que caracterizava sobretudo o filme anterior (composto agora apenas por umas referências do passado), torna-se facilmente no mais “dark” da saga desde o primeiro filme. E depois há uma sensação de se ver um final quase inverso, em termos de arrojo.

De certo modo, sente-se um novo início no universo “Terminator” com este novo filme. Não só é o primeiro a passar inteiramente no futuro apocalíptico (salvo um breve prólogo), como é o primeiro onde o foco não está só em John Connor. É-nos apresentada uma nova personagem, um condenado que ganha uma segunda oportunidade e que se arrisca a ser mais interessante que o próprio líder da resistência.

Uma das grandes preocupações dos fãs surgiu com a escolha do realizador McG (“Charlie’s Angels”). Após o visionamento, confirma-se o que muitos ainda duvidavam: o homem sabe onde colocar a câmara e, acima de tudo, não sofre da síndrome de ter que mudar a sua posição a cada segundo, mantendo a acção fluida e… perceptível! Surpreendente para alguém vindo do mundo dos videoclips, e uma lição para os realizadores de filmes de acção da actualidade.

A nível de montagem de sequências emocionantes, e de espectáculo pirotécnico e metalizado, este será porventura o melhor exemplo que o Verão cinematográfico nos conseguirá oferecer.

Os problemas de “Terminator Salvation” surgem, sim, no argumento e numa história que se crê que foi “intimidada” e remexida, tendo o argumento original de John Brancato e Michael Ferris sofrido várias alterações no curso da produção, incluindo colaborações não creditadas de Jonathan Nolan e Paul Haggis.

Mesmo ignorando um ou outro buraco lógico, o argumento preocupa-se demasiado em programar sequências de acção brilhantes, deixando mais para segundo plano o lado emocional.

Perante tal cenário, os actores vão fazendo o seu melhor para se manterem credíveis e minimamente complexos – destaque sobretudo para Anton Yelchin aqui, e também para Sam Worthington, um australiano em clara ascensão em Hollywood (com mais um papel principal em “Avatar”, de Cameron, lá mais para o final do ano).

Longe de se tornar um novo clássico a juntar aos dois filmes de Cameron, “Terminator Salvation” cumpre, ainda assim, os mínimos para se tornar num filme extremamente recomendável, sobretudo para fãs da saga e fanáticos por adrenalina no geral. Que venha a segunda parte da guerra, de preferência com mais coração e menos “chip”.

O Melhor: as sequências de acção, brilhantemente orquestradas
O Pior: a natureza algo programática de uma história não tão ousada como deveria ser, e com alguns buracos lógicos pelo meio

 
A Base
“Longe de se tornar um novo clássico, “Terminator Salvation” cumpre, ainda assim, os mínimos para se tornar num filme extremamente recomendável, sobretudo para fãs da saga e fanáticos por adrenalina no geral.”..….7/10

 

André Gonçalves

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