‘Let the Right One In’ por José Pedro Lopes

(Fotos: Divulgação)

 

Passado no início dos anos 80, ‘Let the Right One In’ conta a história de Oskar, um rapaz de 12 anos que vive em Blackberg, nos subúrbios de Estocolmo.

Esquálido e tímido, Oskar é vítima de ‘bullying’ na escola e passa os seus serões e fantasiar com a sua vingança, enquanto brinca com uma faca no jardim do prédio onde vive. Numa dessas noites, ele conhece a pálida e andrógina Eli, uma rapariga estranha que após uma noite de convívio se prontifica a avisa-lo que eles nunca poderão ser amigos. Oskar estranha, mas depressa repara nos comportamentos estranhos do pai de Eli.

Como o quarto de Eli fica parede com parede com o de Oskar, eles começam a comunicar atrás de código Morse, crescendo assim uma grande paixão. Só que Oskar nem imagina que Eli é… uma vampira.

Este filme de Thomas Alfredson não podia ser mais “high-profile” do que é. Vencedor de 5 prémios Golden Bug (os Oscarss da Suécia), do festival Tribecca, do festival Gerardmer e do reputadíssimo Meliés D’Or (ciclo de prémios do qual integra o Fantasporto). Aclamadíssimo pela crítica e por fãs do cinema fantástico, ‘Let the Right One In’ tem inclusivé os direitos para o ‘remake’ americano da praxe já vendidos.

E verdade seja dita, ‘Let the Right One In’ faz justiça a todo o burburinho que o rodeia. É um triunfo em termos de cinema fantástico contemporâneo, um projecto completo a todos os níveis – desde personagens e o seu tecido sentimental, até aos momentos mais sangrentos.

O argumento de John Ajvide Lindqvist (autor do livro do mesmo nome, que inspirou o filme) cria duas personagens complexas e carismáticas no jovem apaixonado Oskar e na estranha Eli. Numa história de vampiros passada no frio e na neve (mas que nada tem a ver com o também sueco ‘Frostbitten’), o filme combina uma linda história de amor pré-adolescente com um ritmado e inquietante filme de horrores. Porque mesmo a esse nível temos um filme impressionante: pouco orientado para sustos fáceis mas hábil no suspence, ‘Let the Right’ conta com momentos arrepiantes (como a sequência dos gatos) ou com um estético e memorável massacre final (a cena de Oskar dentro da piscina).

Um clássico dos 00, ‘The Let the Right One In’ revela um cinema fantástico cheio de classe e estética, bem escrito e actuado, com a dose certa de sobrenaturalidade e paixão.

O Melhor: Oskar e Eli, o duo protagonista deste conto.
O Pior: Nada.

 

A Base
Um clássico dos 00, ‘The Let the Right One In’ revela um cinema fantástico cheio de classe e estética, bem escrito e actuado, com a dose certa de sobrenaturalidade e paixão..….10/10
 
José Pedro Lopes
 

Últimas