“X-Men Origins: Wolverine” por José Pedro Lopes

(Fotos: Divulgação)

 

Já se passaram dez anos desde que ‘X-Men’ revitalizou as adaptações de super-heróis da banda desenhada no cinema. Sim, porque apesar da memória colectiva não lhe fazer a devida justiça, o filme que Bryan Singer assinou em 1999 antecedeu em dois anos ‘Spiderman’ de Sam Raimi e em seis anos ‘Batman Begins’ de Christopher Nolan. Nesse filme, Hugh Jackman era introduzido no cinema de Hollywood e a personagem de Wolverine fazia a sua primeira aparição. Se na altura os fãs dos ‘comics’ ficaram desapontados por ele não aparecer com o seu fato amarelo e máscara preta, a verdade é que o Wolfie Jackman era o verdadeiro conceito de fixe.

No cinema e nos comics, a saga de Phoenix (personagem interpretada por Famke Janssen) ditava o fim dos mutantes, como vimos no filme ‘X-Men 3’, forçando a narrativa a explorar os passados das suas diversas personagens. E é o que agora temos em ‘X-Men Origins: Wolverine’, um filme inspirado pelo livro ‘Weapon X’, mas que toma a liberdade necessária para misturar elementos de histórias e tempos diferentes da mitologia dos mutantes.

O filme abre com uns créditos iniciais quase tão aparatosos como os de ‘Watchmen’. Neles, os irmãos mutantes Wolverine (Jackman) e Sabretooth (um Liev Schreiber em grande forma) atravessam décadas de lutas – eles participaram desde a Guerra Civil Americana até à Guerra do Vietnam, passando por duas Guerras Mundiais. Eventualmente, os dois caem em desgraça pela sua força excessiva e são obrigados a juntar-se a um grupo de operações especiais do governo com más intenções. Wolverine revolta-se com os crimes que lhe pedem para cometer, mas Sabretooth não, criando uma enorme inimizade entre os dois irmãos.

A primeira impressão que ‘Wolverine’ deixara nessa sua comunicação era que não tinha o mesmo sabor e dimensão de um filme da série ‘X-Men’. Bem, isso não é verdade. Este filme do desconhecido Gavin Hood encaixa perfeitamente na saga anterior: uma história grandiosa, mutantes para todos os gostos e feitios, mas cenas de acção musculadas sem excessos absurdos.

Se o Wolverine de Hugh Jackman era um dos pratos mais fortes da trilogia original, aqui ele é servido com o tempo necessário para ser apreciado. E a verdade é que é uma grande personagem para o cinema – com as doses certas de carisma e heroísmo. Nota positiva também para a nova versão de Sabretooth – por Liev Schreiber (Scream 2 e 3) – e para novas personagens como Deadpool (Ryan Reynolds numa duplicação do seu trabalho em ‘Blade Trinity’) e Gambit (Taylor Kitsch num papel muito bem conseguido).

Só é pena que o argumento que segura ‘Wolverine’ seja por vezes tão fraco. É uma sombra da consistência narrativa de ‘X-Men’ e ‘X2’. Apesar do material dos comics ser interessante (especialmente ‘Weapon X’), o filme tenta contar demasiados factos e demasiadas complicações, acabando porém por ser, curiosamente, demasiado simples. É uma pena o lado emocional e animalesco de Wolverine não ser tão bem explorado, a favor de uma banalíssima história de amor e vingança.

Felizmente, o ‘climax’ final tem a energia suficiente para contornar tudo isto, principalmente pela química criada pelo novo lote de mutantes.

Mesmo assim, ‘Wolverine’ é um filme de super-heróis com boa forma física e muitas personagens novas que valem a pena encontrar e que nos deixam a vontade de as conhecer um pouco melhor.

Ao invés, é triste o que a Fox inventou como ‘Weapon XI’, pois desperdiçam umas das personagens mais divertidas do filme e dos comics (este comentário é apenas para fãs do ‘X-Men’)…!

 
 
O Melhor: Todos os mutantes, em especial Gambit e Deadpool .
O Pior: Romance e vingança… o típico paradigma ‘Steven Seagal’.
 
 
José Pedro Lopes
 

Últimas