“Linha de Passe” por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

 

Linha de Passe, o novo filme de Walter Salles (Os diários de Motocicleta) e Daniela Thomas, explora a vida de quatro irmãos e da sua mãe, novamente grávida, num bairro pobre de São Paulo. O filme pretende abordar as alternativas à criminalidade, que vemos retratadas noutros filmes brasileiros recentes, usando para isso as mesmas técnicas narrativas e tecnológicas: as histórias vão-se desenrolando em paralelo, vendo-se o esforço desenvolvido por cada um dos irmãos a procurar a sua hipótese no futebol, na religião, no trabalho ou na procura do pai, com um determinado estilo estético que se tornou padrão desde a Cidade de Deus.

A nível técnico é um filme que, ou por escolha ou por limitação tecnológica, é muito escuro, o que o pode tornar cansativo, principalmente nas cenas de interior. A banda sonora é intrusiva, servindo mais como indicação da leitura que os realizadores pretendem fazer do filme, do que suporte ou construção do ambiente, e acaba por retirar qualquer alegria que possa haver no filme, para além de se tornar demasiado paternalista na ideia de que seríamos incapazes por nós próprios de fazer julgamentos morais sobre o que se vê na tela.

Apesar das suas boas intenções, o filme peca pela falta de empatia que sentimos em relação às personagens (só a pobreza não chega para isso), a falta de alegria (que até vemos na história, mas da qual somos afastados pela banda sonora) e pelo tom pouco original e demasiado moralista que nos cansa mais do que nos põe a pensar.

O Melhor: A intenção do filme e a personagem do filho mais novo, Reginaldo.
O Pior: A banda sonora e o tom pouco original e moralista

 

A Base
“o filme peca pela falta de empatia, de alegria e pelo tom pouco original e moralista..”…. 5/10
 

João Miranda

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