
Aqui, Gilroy parece repetir a receita de “thriller” corporacional, sob a forma de competição aguerrida entre duas companhias levada ao extremo, onde existem agentes capazes de roubar informação sobre novos produtos, de modo a ganhar vantagem no mercado.
“Duplicity” será mesmo a escolha perfeita para quem há muito desejava entretenimento escapista adulto e de alta qualidade. Através do uso de “split-screens”, uma banda sonora muito “cool” a cargo de James Newton Howard, e um argumento tão meticuloso como os aspectos mais técnicos da película, feito sobretudo de reviravoltas e contra-reviravoltas misturados com alguns “flashbacks”, Gilroy constrói um “thriller” que pode inicialmente mostrar-se confuso ao espectador comum, mas que o acaba por o ir recompensado aos poucos e a cada nova revelação. Para quem gosta de ser bem enganado, é difícil imaginar melhor filme nos últimos tempos.
E claro, para o êxito do filme contribuem as duas estrelas: Julia Roberts e Clive Owen, reunidos pela segunda vez desde “Closer”, têm química e charme para dar e vender, em performances vívidas e descontraídas. Tal aparente descontracção não deve esconder o facto de que encarnam personagens não menos complexas e bem trabalhadas que as que tiveram no filme de Mike Nichols, contudo. Este será mais um ponto alto para os dois actores, e vê-los interagir vale por si só o bilhete.
Gilroy corria aqui o risco de fazer algo que parecia mais esperto do que realmente é. Mas “Duplicity” consegue verdadeiramente surpreender pela positiva com um belo e inteligente produto que pode não ser o primeiro no mercado, mas dificilmente encontrará competição à altura nestes tempos, de qualquer das maneiras. Bem jogado!
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| “Duplicity será mesmo a escolha perfeita para quem há muito desejava entretenimento escapista adulto e de alta qualidade.”… 8/10 |
André Gonçalves

