“Marley & Me” por André Gonçalves

(Fotos: Divulgação)

O cinema feito a pensar em cães (e nos seus donos) parece estar de novo em alta. Não que alguma vez tivesse tido alguma queda drástica – afinal, já desde os tempos da série de TV “Lassie” que uma obra centrada num canino, quer “fale” ou não, parece sinónimo de boa aceitação por parte do público, pelo menos.

Só nesta recente temporada, foram lançados no circuito mundial três filmes com cães proeminentes: o magnífico “Wendy and Lucy” (que corre o sério risco de passar despercebido e ir directamente para DVD); o mais comercial “Hotel For Dogs”; e agora “Marley & Me”, uma adaptação de um best-seller homónimo publicado em 2005, sobre o dia-a-dia de um dono, o seu cão, e restante família.

Com uma adaptação a cargo de Don Roos (“The Opposite of Sex”) e Scott Frank (“The Lookout”), ambos com passados completamente fora de filmes “familiares” limpos, “Marley & Me” não é obviamente subversivo ou complexo. De qualquer das maneiras, não poderia ser diferente do que está no ecrã. No entanto, mesmo mantendo toda a tradição do cinema canino para toda a família intacta, desde os “gags” ao próprio final em si, é ainda assim dos objectos mais agradáveis vistos dentro do género em anos.

Mais mérito do autor da obra original autobiográfica e da dupla Roos-Frank que do realizador David Frankel, que após “The Devil Wears Prada” assina mais um sucesso agradável q.b., embora mais uma vez sem marcas artísticas extasiantes presentes. No fundo, um artesão bem treinado e comportado a triunfar mais uma vez em Hollywood.

Jennifer Aniston e Owen Wilson não só formam um par romântico credível como aguentam cenas dramáticas muitíssimo bem, com uma destreza facilmente subestimável (ou não estivessemos perante dois actores subestimados). Mas a grande estrela do filme é inevitavelmente o cão Marley, no seu percurso desde cachorro até cão idoso. Faz tanto querer ter um labrador daqueles, mesmo que roa a mobília, ou enlouqueça a cada trovoada.

Não será preciso contar o final do filme, assim como não seria preciso salientar a possibilidade de muitos donos e ex-donos mais sensíveis poderem lacrimejar… o filme será sobretudo dirigido a eles, e a todos aqueles que acreditam que os cães podem mudar realmente a nossa vida. Para os que ainda não acreditam, têm aqui mais uma oportunidade de ver a luz.

O Melhor: O cão.
O Pior: É demasiado familiar.

A Base
Um filme para donos, ex-donos e para quem acredita, ou esteja disposto a acreditar, que os cães podem mudar realmente a nossa vida. …. 6/10
 

 André Gonçalves

 

“Marley & Me” por João Miranda (4/10)

Últimas