A sequência inicial, que retrata uma caça ao tesouro entre as crianças, acaba na verdade por dar o mote a todo o filme. A colecção privada e a própria casa são os verdadeiros tesouros da história, pois representam a identidade daquela família. A relação com os objectos é tocada em quase todos os aspectos: o objecto com valor sentimental, artístico, histórico, económico, social, estético ou ainda utilitário.
E a neutralidade é total. Até a decência da resolução da partilha é representativa disto. Há compreensão e sensibilidade do início até ao fim. Tempos de Verão é feito de subtilezas, não pretende julgar ninguém. Apenas mostra a realidade dos relacionamentos tanto com os objectos como com as pessoas mais próximas, perante os vários pontos de vista possíveis. O que retira tensão de que o filme precisava para ganhar algum alento.
Mas se, por um lado, o excesso de “politicamente correcto” se torna bastante enfadonho, por outro, consegue poupar-nos dos melo-dramatismos a que este tipo de tema se presta. Tanto que até encontro alguma dificuldade em classificar esta película como drama… Quase que poderia tratar-se de um documentário sobre uma qualquer família burguesa e o seu legado à história da arte. Também contribui para isso o facto de terem usado verdadeiros artefactos, cedidos pelo próprio Museu de Orsay.
Assayas consegue portanto tocar-nos pela verosimilhança de todo o enredo. O sentimento de nostalgia é completo. Todo o elenco é muito bem conseguido. Só é pena a contemplatividade tornar-se demasiado plácida.
O Melhor: As personagens muito bem definidas e reais tanto enquanto indivíduos como enquanto conjunto familiar.
O Pior: A falta de um clímax que pudesse dar mais alento ao filme.
| A Base |
| Um filme que retrata as subtilezas das relações humanas quando se encontram intrinsecamente ligadas a objectos. Plácido mas verosímil e muito bem representado..…. 6/10 |

