
O casamento pode ser o acontecimento mais importante na vida de uma pessoa. Pelo menos, esta frase bem “cliché” parece aplicar-se a Liv e Emma, duas amigas de infância inseparáveis que sonham com um casamento no Hotel Plaza.
Um sonho tornado realidade e tornado posteriormente pesadelo, quando o casamento de ambas com os respectivos noivos é acidentalmente agendado para o mesmo dia. Uma amizade antiga será testada e uma autêntica guerra de noivas terá início.
Há um momento no final deste “Bride Wars” onde uma das duas protagonistas se vira para a outra e diz que toda aquela luta é estúpida. Nesse preciso momento, o espectador recebe não só a maior verdade que um filme forçado tem para oferecer como um bom resumo para tudo o que se passou nos minutos anteriores.
O filme começa, de facto, por cometer esta pequena grande falha de não dar um motivo suficiente para justificar tamanha violência capaz de destruir uma amizade duradoura. Sim, pintar os cabelos de azul, dar um bronzeado novo à adversária, ou uma data de doces e gorduras para não caber no vestido não serão os actos mais violentos que a humanidade já cometeu…e sim, as noivas costumam ficar “stressadas” nestas alturas, mas porque não um casamento num sitio ainda mais espampanante do que o Hotel Plaza para uma delas, já que não aguentam um casamento no mesmo dia? Talvez não compreenda mesmo noivas e os seus sonhos – e os seus nervos.
De qualquer das maneiras, antes fosse este o maior problema com “Bride Wars”. A verdade é que estamos perante a típica colecção de “gags” sem piada tão previsíveis como o filme em si, embrulhados num pacote de fácil consumo e arranjo bonito para ser despachado para um multiplex perto de si.
Dito isto, o filme tem os seus pontos positivos, que fazem com que a estadia aqui seja, ao menos, minimamente agradável. O filme nunca aborrece no seu tom “light”, faz-nos sorrir uma vez ou outra, ora pelo ridículo do que estamos a assistir, ora por momentos genuinamente interessantes (escassos, é certo), e a química entre Anne Hathaway e Kate Hudson é visível, embora ambas mereçam melhores filmes que este.
A Hathaway até que se perdoa esta escolha após ter arrancado uma das interpretações do ano no infinitamente melhor filme de casamento “Rachel Getting Married”; Hudson, em particular, precisa de se afastar destas comédiazinhas de uma vez por todas e voltar a papéis que a voltem a desafiar – que saudades da Penny Lane de “Almost Famous”! Idem para muitos dos secundários, igualmente subusados (destaque pessoal para Candice Bergan e Kristen Johnston).
Quanto ao realizador Gary Winick, estranhamente com início no cinema mais “indie” até se ter convertido a Hollywood com o surpreendentemente agradável “13 Going on 30”, tem poucas ideias decentes para dar a volta a uma narrativa medíocre, e filma “Bride Wars” como quem trabalha apenas para picar o ponto.
Para quem quiser ver duas noivas a lutar como duas raparigas e a pregar as partidas do costume, o filme cumpre sem dúvida. Os que quiserem algo mais substancial, pesado e dramático têm ainda o outro filme de Hathaway em cartaz. Dispensável e esquecível, sim, mas também inofensivo, fácil de aturar pelo menos uma vez e longe de merecer o título de pior filme do ano. É demasiado conservador para arriscar tanto.
O Melhor: Anne Hathaway e Kate Huson, belas e com química suficiente para nos fazer pelo menos acreditar que aquelas duas raparigas possam ser amigas.
| A Base |
| “Dispensável e esquecível, sim, mas também fácil de aturar pelo menos uma vez e longe de merecer o título de pior filme do ano.”.…. 4/10 |

