Na noite do seu aniversário, Nicholas morre. E se ele pudesse recomeçar tudo de novo?… E se ele tivesse direito a uma nova vida?… O problema reside neste “se”, que existe sempre como uma possibilidade mas nunca como um dado absoluto. O filme começa por distanciar os seus dados absolutos criados com a apresentação das personagens logo no genérico inicial. Passa de seguida a centrar-se em Nicholas, que narra durante grande parte do filme, e deixa de lado as restantes personagens na tentativa de criar um sub-plot de mistério sem qualquer fim satisfatório, acrescentando cada vez mais personagens, representadas por figuras públicas conhecidas, que não arrancam qualquer reacção do público a não ser grandes gargalhadas.
Se a intenção era fazer uma comédia, mais valia terem assumido isso desde o início. É frustrante notar que se está ali a criar uma história para logo de seguida a deitarem abaixo com este tipo de futilidades.
Do nada surgem adereços “importantes” para a história, inseridos como que por magia. Adereços para cirar mais mistério sem sentido. As personagens perdem a densidade que pareciam ter ao início, tornam-se superficiais. Eu cruzo os braços e suspiro de aborrecimento.
Um plano final. Ok, o filme acabou. Não, esperem, afinal não. Agora estamos a reviver a sua vida em Itália, quando se apaixonou pela Claudia Vieira mal a viu em roupa interior.
Caracterizado como um arrogante e aqui age como uma pessoa doce. A Claudia Vieira faz milagres. Mas esta é apenas a sua segunda vida. Com o segundo final, feliz mais a Cláudia e a sua ninhada. Depois há um terceiro final. E um quarto…
No terceiro ele morre num acidente de carro. No quarto ele descobre que vai ser pai. E tudo isto filmado com planos muito bonitos. E depois? Continuo aborrecido.
O passado está escrito… será que podemos mudar o nosso futuro? A julgar por este panorama, parece que não. Este não era de certeza o filme que Portugal estava a espera.
Portanto passemos à frente
2/10
Carlos Lopes

