“The Duchess” por Carlos Lopes

(Fotos: Divulgação)

Na segunda metade do séc. XIII, Georgiana Spencer (Keria Knightley) é escolhida pelo Duque de Devonshire (Ralph Fiennes) para se tornar sua mulher e garantir a descendência masculina. Iludida pela ideia de uma construção amorosa e de uma vida abastada, para além de indirectamente pressionada pela mãe, ela embarca neste matrimónio que acabaria por mudar a sua percepção da vida. A sua beleza e carisma captam rapidamente a atenção, sendo adorada pelo povo londrino e tornando-se num ícone da moda.

Derrotada pelas circunstâncias que se lhe apresentam, ela acaba por encontrar o amor fora do casamento, tornando-se este impossível. Georgiana tem de suportar a dualidade de toda a situação, tendo de viver com o marido e a sua amante, que fora já a sua melhor amiga.

Keira Knightley não encontra aqui o papel da sua vida, mas é ela que suporta a narrativa previsível e já bastante repetida no cinema, não só no campo do amor impossível mas também no que toca às convenções sociais e ao poder masculino próprios da época. À medida que o filme se desenvolve deseja-se que fuja a estes “clichés”, pois apesar de a personagem ser, até certa medida, uma revolucionária, acaba por não acrescentar nada de novo.  

Em suma, esta é mais uma história sobre redenção, amor, dever e consentimento, cujo pano de fundo verídico soma alguma tensão, mas não a suficiente para nos deixarmos levar pela personagem, que tudo tem de enfrentar sozinha.

Ralph Fiennes é um duque bastante dúbio, uma personagem difícil e soturna. Consegue-se odiá-lo e por vezes até simpatizar com ele, mas a alma do filme está com Knightley e o seu desempenho, que voltam a provar que a actriz está preparada para papéis mais fortes.

De resto, a fotografia,a  banda sonora e  o guarda-roupa são pontos positivos, embora também não surpreendam. Um filme de época agradável, um pouco triste, que vale mais pelo desempenho dos actores e o retrato de uma época.

5/10

Carlos Lopes

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