“The Boy in the Striped Pyjamas” por Carlos Lopes

(Fotos: Divulgação)

Em plena Alemanha Nazi uma família muda-se de Berlim para o campo. Bruno, o mais novo, é o único a pôr em causa esta mudança, que o vai afastar do mundo que conheceu até ali. Instalados na nova casa, feia, desprovida de qualquer elemento animador, e que mais parece um quartel-general, Bruno depressa se aborrece sem ninguém com quem brincar, até descobrir uma saída pelas traseiras que o transporta para o exterior, e ,em derradeira análise, para uma cruel verdade até ali vedada pela inocência da infância.

Este é sem dúvida um filme poderoso e inesquecível. É mais uma chamada de atenção para a actualidade que a História não deve ser esquecida. Para os que acusarem o filme de ser mais uma abordagem sobre o Holocausto, há que olhar para o seu ponto de vista universal e não apenas específico.

A infância corresponde a uma parte da nossa vida muito marcante, mas corresponde também ao despertar para mundo que nos rodeia. Antes desse despertar tudo parece bastante simples e facilmente resoluvel; principalmente tendo em conta as concepções do bem e do mal impostas pela sociedade. É claro os padrões da actualidade não se podem comparar aos de há 60 anos. Um rapaz vive fechado em casa, e anseia por explorar o que o rodeia e, quando surge a primeira oportunidade, ele aproveita. Cá fora encontra o seu semelhante, um rapaz da mesma idade, também ele preso. O arame farpado divíde-os. Mas a amizade floresce.

Mark Herman escreve e realiza mais este filme, desta vez baseado na obra homónima de John Boyne. Poderá criar laços de ligação ou afastamento com o espectador logo no início, mas é no seu desenvolvimento e desenlace que ele nos surpreende. Deve receber logo desde o início os parabéns pois o filme está inteiramente sobre os ombros das crianças, que têm um desempenho fenomenal, e uma presença expressiva impressionante. Vera Farmiga mostra também uma faceta mais escondida da representação, interpretando a mulher de um oficial Nazi promovido, incapaz de suportar a verdade que esconde o campo de concentração a uma distância considerável da sua nova casa.

O tratamento da época está impecável, mas isso já seria de esperar numa produção que se debruça sobre este tema. O que surpreende é sem dúvida a narrativa desenvolvida à volta do protagonista, com um ambiente de tensão crescente muito bem conseguido com a banda sonora de James Horner, que prende e por vezes até consegue sufocar antecipando a tragédia.

Um filme que ficará marcado na memória.

8/10

Carlos Lopes

 
 

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